Médicos questionam eficácia de manipulados
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quarta-feira, 11 de maio de 2005
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Alguns médicos de Londrina não costumam receitar remédios manipulados para seus pacientes, pois não confiam em sua eficácia. ''Na maioria das vezes, cuidamos de patologias muito sérias. A falha de um remédio pode por em risco a vida do paciente'', argumenta o cardiologista Luis Carlos Miguita, do Hospital do Coração. As farmácias de manipulação de Londrina iniciaram nesta semana protesto contra resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proíbe o preparo de medicamentos nas doses que já são fabricadas pela indústria farmacêutica.
Apesar de não prescrever esses medicamentos, Miguita afirma que dá liberdade ao paciente para comprar a medicação que for mais adequada. Mas, prefere os produtos industrializados, pois além de ter controle da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), geralmente são reconhecidos por órgãos de fiscalização norte-americanos. ''Além disso, a maioria dos remédios para tratamento de problemas cardíacos não podem ser manipulados'', afirma.
Mas a farmacêutica Patrícia Brill afirma que nem todos os profissionais da área pensam assim. ''Recebo várias receitas de cardiologistas'', garante. O médico Wellinton Moreira disse à Folha que costuma manipular a substância Omeprazol, para o estômago. ''É um remédio muito caro, inacessível para muitos pacientes'', argumenta. Porém, ele diz ter consciência que a farmacodinâmica (tempo de ação do produto) pode não ser igual ao do industrializado.
Já remédios para controle de colesterol e hipertensão, Moreira prefere não manipular. ''O perigo de uma crise hipertensiva é muito grande'', explica o cardiologista Miguita. Na outra ponta, a farmacêutica argumenta que os medicamentos têm o mesmo efeito. ''Até para a absorção já temos cápsulas especiais para remédios que só podem ser dissolvidos no intestino'', garante.
O médico Luis Fernando Paes de Mello elenca uma série de outras dúvidas pelas quais não recomenda o medicamento manipulado. ''Em primeiro lugar, é um produto sem bula, portanto irregular. E quem garante a procedência dos sais utilizados?''. O médico afirma que tem responsabilidade com os pacientes e não pode ficar na expectativa que o remédio funcione da maneira correta.
A presidente do Núcleo de Setorial das Farmácias de Manipulação, Lourdes de Andrade, defende-se explicando que todas os estabelecimentos da área seguem uma normatização rígida. ''Fazemos análise microbiológica da água, medimos a umidade do ambiente de conservação dos produtos e muito mais. Todos os procedimentos são registrados para que a Vigilância Sanitária possa ter acesso à rotina da farmácia'', afirma. Além disso, Lourdes ressalta que os sais utilizados na composição passam por uma inspeção antes de entrarem no laboratório da farmácia.
Apesar de toda cautela, a presidente admite que já enfrentou reclamações. Ela ressalta que no caso das farmácias o erro é individual, já na indústria farmacêutica um erro pode prejudicar várias pessoas.


