Médicos querem remédio contra gripe A
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Médicos se sentem de mãos amarradas para o tratamento de pacientes com possibilidade de terem contraído o vírus Influenza A (H1N1). A reclamação é do infectologista e presidente da comissão de controle de infecção hospitalar do Hospital Santa Cruz, Nelson Szpeiter. Ele diz sentir dos órgãos de saúde pública pouca confiança na experiência e responsabilidade dos médicos. Segundo Szpeiter, a opinião é corroborada por outros especialistas e foi repassada ontem à Secretaria Municipal de Curitiba.
A maior queixa é com relação à centralização do medicamento indicado para tratamento da doença, o Tamiflu, do laboratório Roche. Eu posso fazer uma receita para Aids, mas não para o Tamiflu. Eu acho que, além de estar nos hospitais, o remédio deveria estar disponível nas farmácias para compra com receita médica, defende. Nós pedimos o medicamento e às vezes o paciente precisa ser reexaminado antes da liberação. Isso é antiético.
Szpeiter questiona a falta de orientação para a quimioprofilaxia, que é a administração preventiva do remédio para pessoas que irão se expor a ambientes de risco. A medida, segundo ele, é recomendada nos protocolos de outros países. Outra falha no protocolo do Ministério da Saúde é a falta de clareza sobre o tratamento para menores de 1 ano. Não há nenhuma menção a isso e eu só percebi após o alerta de um neonatologista do hospital, disse.
O infectologista defende que o medicamento Relenza, do laboratório Glaxo, seja disponibilizado como alternativa ao Tamiflu. Seria a única opção para pacientes que venham a ter resistência ou na falta do remédio prioritário. Por meio de nota, a Roche informou que, sobre a distribuição do Tamiflu (fosfato de Oseltamivir), está comprometida em atender a todos pedidos do Ministério da Saúde (MS). Os estoques só voltarão a ser repostos nos estabelecimentos comerciais após suprimento desta necessidade principal, diz a nota.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o processo de liberação do remédio é rápido, mas segue o protocolo do MS. Após a notificação da suspeita de um caso, as secretarias municipais comunicam a Sesa, que faz a avaliação com o médico responsável pelo atendimento se é o caso de entrar com o Tamiflu. Conforme a assessoria do órgão, esse processo é por telefone e há estoques do remédio em todas as regionais de saúde. Além disso, o produto só é recomendado nos casos mais graves da doença.
Szpeiter comentou sobre Fortaleza, onde não há epidemia da gripe A, e o Tamiflu estaria à venda em farmácias. Tenho um conhecido que está indo para a Bahia. Já passei a receita para ele comprar para mim, se achar. O médico afirma que administraria o remédio sem esperar autorização da saúde pública. Tem que valer mais o bom senso e a responsabilidade do médico.


