Curitiba- Médicos ligados à Universidade Federal do Paraná (UFPR) querem mapear todos os bebês do Estado que nascem com um tipo de câncer raro na glândula supra-renal, chamado de tumor de córtex adrenal. O câncer, descoberto há cinco anos, é hereditário e a maior incidência do mundo é no Paraná. A gota de sangue retirada no exame do pezinho, feito quando as crianças nascem, é suficiente para descobrir a alteração no DNA. A intenção é tratar precocemente o tumor e formar um banco de dados com os portadores da mutação. Assim, quem descobrir que tem o gene da doença também saberá que no futuro seus filhos poderão tê-la.
Segundo o médico Bonald Figueiredo, que coordena a pesquisa, nascem no Paraná cerca de 180 mil bebês por ano; destes, cerca de 200 apresentam a mutação. Do total de crianças que nasce com o gene da doença, cerca de 20 desenvolvem efetivamente. Figueiredo explica que essa é a maior incidência do mundo. E o percentual de mortalidade, atualmente, é de cerca de 45%.
Cerca de 80% das crianças que desenvolvem o câncer são diagnosticadas com até quatro anos. Depois da infância, o médico explica que é raro o aparecimento do câncer, porém a probabilidade de transmitir a mutação para os filhos é de 50%.
Como a causa é hereditária, quando se descobre uma criança com a mutação, investiga-se, daí, a família toda para saber quem mais tem a alteração. Com isso é possível formar um banco de dados. ''Em sete anos acreditamos que seja possível catalogar a maioria das famílias do Paraná. Daí quem tem a mutação sabe que o filho pode ter a doença e o exame passará a ser feito somente nesses bebês'', explicou Figueiredo.
O exame começará a ser feito gratuitamente pelo Centro de Genética Molecular e Pesquisa do Câncer em Crianças, em Curitiba, que é mantido por agências de financiamento para pesquisas. Termos de conscentimento vão ser enviadas a todas as maternidades do Estado e basta a mãe assinar se aceitar o exame e fornecer todos seus dados.
Depois de receber a autorização, o Centro faz o exame de DNA para detectar a mutação e envia os resultados por correio para os pais. Caso seja detectada a mutação, o próprio Centro entra em contato com o médico da criança, enviando a ele gratuitamente material impresso e em vídeo sobre a doença com todas as orientações de como proceder para o diagnóstico precoce e tratamento. O médico recebe também um programa de computador e uma senha para acessar um prontuário eletrônico, que já foi criado, no qual todas esses bebês, e suas famílias, vão estar cadastrados. Toda a evolução da doença será descrita pelo médico nesse prontuário. ''É importante que depois de descoberta a alteração no bebê se faça o exame na família porque geralmento cinco ou seis membros têm a mutação também'', afirmou o médico.
Quem está financiando o projeto é a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior com verba de R$ 500 mil. Figueiredo ressalta a necessidade da participação de empresas e de voluntários para a continuidade do projeto. Isso porque para fazer um cadastro de todas as famílias devem ser gastos pelo menos sete anos. ''Se uma pessoa em cada região do Estado se candidatasse como voluntário para ajudar a divulgar o projeto e tentar conseguir financiadores, já surtiria efeito'', diz o médico Figueiredo.

SERVIÇO
Quem quiser colaborar ou buscar informações pode ligar para (41) 3029-3204 ou enviar um e-mail para [email protected]

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