Médicos querem lei para combater violência em Campinas
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quinta-feira, 08 de abril de 1999
por Clayton Levy 
Campinas, 9 (AE)-O Sindicato dos Médicos de Campinas e o Conselho Regional de Medicina querem que a Câmara Municipal formule um projeto de lei criando o Conselho Municipal pela Defesa da Vida e Combate a Violência. O objetivo é reduzir o número de mortes violentas na cidade, que em janeiro desse ano registrou aumento de 61% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu).
O presidente do Sindicato dos Médicos, Rogério de Carvalho, disse que o Conselho seria formado por representantes do legislativo, executivo, judiciário e sociedade civil. "Precisamos colocar em prática políticas públicas de combate a violência", disse. Segundo ele, homicídios e acidentes de trânsito estão entre as principais causas de óbitos na cidade. Carvalho diz que as ações deverão estar voltadas para o desemprego, considerado a principal causa para o aumento da criminalidade.
Em janeiro desse ano, as ocorrências violentas representaram 17% dos atendimentos feitos pelo Samu, contra 11% no mesmo período do ano passado. O município também registrou em 1998 um aumento de 24% no número de homicídios em comparação a 1997. Também em 1998, o registro de mortes em acidentes de trânsito na cidade cresceu 25% em relação ao ano anterior.
Somente no ano passado, foram registrados em Campinas 509 homicídios e 186 óbitos em acidentes de trânsito. Estes índices fazem do município o mais violento do interior do Estado
perdendo apenas para a Grande São Paulo. Segundo dados do Conselho Regional de Medicina, o atendimento a ocorrências provocadas pela violência consumiu no ano passado R$ 2,8 milhões da dotação destinada pelo Sistema Único de Saúde. O vereador Dario Saad (PSDB) disse que a proposta para formação do Conselho deverá ser acatada pela Câmara.
Para o presidente do Sindicato dos Médicos, a nova entidade, caso seja aprovada, deverá estabelecer diretrizes para evitar e combater a violência, além de oferecer assistência às vítimas. A Câmara ainda não definiu quando deverá analisar a proposta visando a elaboração do projeto de lei.


