Curitiba - Os médicos Eldo Ern e Cristina Cerniak, acusados pelo Ministério Público de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, de praticar dupla cobrança por procedimentos e de aplicar indiscriminamente o remédio abortivo Cytotec em gestantes para induzir o parto no Hospital e Maternidade Municipal São José dos Pinhais, depuseram ontem na delegacia Afonso Pena, em São José. O advogado dos médicos entrou ontem pela manhã com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça (TJ), mas nenhum despacho havia saído até o fechamento desta edição. Os médicos permanecem presos no Centro de Triagem, em Curitiba. O MP fechou também ontem a contagem oficial do número de receitas de Cytotec pedidas pelos dois médicos entre, 2001 e 2003, à farmácia do hospital e chegou ao número de 578.
A delegada de São José, Ana Cláudia Machado, pediu a prisão preventiva dos médicos porque eles estariam ''atrapalhando as investigações''. Segundo ela, Ern e Cristina tentaram retirar documentos do hospital e modificaram alguns prontuários. Uma paciente de Cristina afirma que recebeu um telefonema anônimo com ameaças. O inquérito sobre as cobranças indevidas está em fase de conclusão e o inquérito sobre o uso do Cytotec depende de parecer técnico, explicou a delegada.
A paciente que recebeu ameaças, que preferiu não se identificar, diz que perdeu seu filho em março deste ano, mas Cristina não explicou extamente a causa da morte. ''Eu e meu marido não íamos mexer no caso por causa do trauma do morte do nosso filho. Nem depois que a Justiça começou a investigar. Mas, há uns dias recebi uma ligação de uma pessoa que dizia que não era para eu mexer no assunto. E disse que era um alerta e não uma ameaça'', conta. Com medo, ela e seu marido procuraram a polícia.
O advogado de Ern e Cristina, Rafael Justus de Brito, rebateu a acusação. Segundo ele, a paciente em questão não tem nada a ver nem com o caso do Cytotec, já que não foi encontrada nenhuma receita com seu nome, e nem com a dupla cobrança porque ela pagou particular por todas as consultas e procedimentos. Quanto ao fato de os médicos estarem atrapalhando as investigações, Brito afirmou que eles tinham ''direito de ter acesso aos prontuários de suas pacientes e que as únicas mudanças feitas aconteceram porque em alguns prontuários constava que SUS havia pago e isso era um erro''.

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