Curitiba - Uma pesquisa internacional está avaliando o distúrbio de Kawasaki em crianças e adolescentes que tenham tido a doença e já tenham sido curados. A doença, rara no Ocidente, tem causa ainda desconhecida e afeta diversos órgãos, podendo levar à morte. Ela é mais comum entre pessoas de origem oriental. No Oriente, a cada mil crianças com menos de 5 anos, uma desenvolve a doença. No Ocidente, a cada 10 mil crianças menores de cinco anos, uma tem diagnóstico positivo da doença.
O estudo começou a ser realizado no segundo semestre do ano passado. No Brasil, a coordenação nacional está sendo feita pelo cardiologista e médico nuclear João Vítola, da Quanta Diagnóstico Nuclear. Ao todo, são 50 centros no mundo participando da pesquisa.
No Brasil, 40 crianças foram cadastradas e serão pesquisadas pelo prazo de dez anos. A complicação mais temida é o envolvimento cardiológico por conta da inflamação dos vasos sanguíneos. Cerca de 25% dos casos da doença acabam evoluindo para problemas coronarianos. Em alguns casos, são detectados aneurismas, infartos e são realizadas cirurgias para colocação de ponte de safena.
Os adolescentes e crianças serão analisados para que se descubra se eles apresentam ou apresentarão fluxos sanguíneos alterados ou reduzidos por conta da doença. Para isto, estão sendo feitos exames de cintilografia de perfusão miocárdica.
''A gente quer saber se quem tem a doença, ficou com algum tipo de sequela mesmo que a doença tenha ocorrido há vários anos. Queremos saber se o tratamento não tem que ser modificado e se temos que dar orientações aos pacientes sobre a atividade física do adolescente'', disse o médico, em entrevista à FOLHA.
Estão sendo avaliadas crianças e adolescentes que não apresentam qualquer tipo de sintoma. Muitas já demonstraram que estão com o fluxo de sangue diminuído. ''A doença não é contagiosa e em 75% dos casos não traz sequelas. Em geral, ela tem boa evoluão desde que o pediatra reconheça a doença nos primeiros estágios'', explicou o médico.
A doença de Kawasaki foi descrita pela primeira vez em 1967, pelo médico japonês Tomisaku Kawasaki. Ela é considerada uma vasculite febril aguda. Afeta crianças menores de 5 anos de idade, com predomínio no sexo masculino. Ela é conhecida como síndrome cutâneo-mucosa porque causa inflamação da mucosa da cavidade oral e da língua.

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