Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Federação Brasileira de Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) entregaram ontem ao secretário nacional de Políticas de Saúde, João Yunes, um documento propondo ações governamentais para combater a mortalidade materna e perinatal (período que compreende o fim da gestação, o parto e os sete primeiros dias de vida dos bebês).
O documento foi entregue na noite de ontem, no Ato Público pelo Direito de Nascer e Viver com Saúde, promovido pelas duas entidades. O evento, assistido por 2 mil pediatras que estão em Foz participando do 56º Curso Nestlé de Atualização em Pediatria foi integrado ao calendário oficial de comemorações do Dia das Crianças no município.
João Yunes, ocupante do segundo cargo mais importante do Ministério da Saúde, recebeu o documento do infectologista infantil Lincoln Freire, atual presidente da SBP – a terceira maior sociedade pediátrica do mundo.
Ao todo, são 20 propostas para reduzir a mortalidade perinatal, período responsável pelo óbito de 52,82% do total de crianças mortas com até um ano no Brasil. Segundo o documento, o País necessita, entre outras medidas, de uma rede para exames pré-natal mais humana e personalizada, investimento em treinamento de técnicos da área e campanhas de esclarecimento na mídia.
O destaque do terceiro dia do 56º Curso Nestlé de Atualização Pediátrica foi a exposição da pediatra carioca Maria de Fátima Goulart Coutinho, especialista em saúde do adolescente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Segundo ela, as doenças psicossomáticas – conjunto de sintomas físicos decorrente de distúrbios psicológicos – podem se manifestar na infância e se agravar na adolescência se o ambiente familiar e social não privilegiar discussões e ações que enfrentem a tensão da vida moderna.
‘‘Conversar francamente é, cientificamente, bom para saúde’’, afirma a médica. Entre os psicossomáticos adolescentes problemas como dor abdominal recorrente, dores de cabeças, rinites e fadiga crônica, não são tratados como deveriam. ‘‘É necessário que o médico e a família busquem terapeutas para um tratamento paralelo’’, destaca.

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