Médicos participam de mobilização nacional
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quinta-feira, 04 de julho de 2013
Mariana Franco Ramos<br>Equipe Bonde 
Curitiba - Médicos e estudantes participaram ontem, em pelo menos 11 municípios do Paraná, da mobilização nacional contra o plano do governo federal de trazer profissionais estrangeiros para trabalhar em cidades do interior.
Em Curitiba, o protesto começou por volta de 10h30, na Boca Maldita, no centro, de onde os manifestantes seguiram em direção ao prédio central da Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Praça Santos Andrade.
Em Londrina, os profissionais fizeram uma reunião na Associação Médica, no Jardim Mediterrâneo (zona sul), para apoiar a causa e fariam uma passeata.
Na capital, cerca de 2 mil manifestantes, segundo estimativa do Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-PR), participaram do ato. "Não somos contra a importação. O que somos contra é a vinda de profissionais sem a análise de sua eficiência, tanto da Língua Portuguesa, como da questão técnica. E também queremos mostrar a indignação com os rumos que a saúde pública está tomando. Não é o médico que é o responsável por isso, e sim os gestores", argumentou o presidente do CRM-PR, Alexandre Bley.
Apesar de apoiarem a mobilização, as entidades hospitalares indicaram que não houve paralisação dos serviços assistenciais, sobretudo os de urgência e emergência.
O presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), João Carlos Baracho, disse que a classe se sentiu desrespeitada com "essa visão muito parcial de que se resolve tudo importando médicos". De acordo com ele, o problema da saúde é "muito maior" e inclui a falta de financiamento do setor público, principalmente do governo federal, que não estaria investindo 10% do seu orçamento em saúde. "Temos certeza que o médico irá para o interior a partir do momento em que exista infraestrutura postos de saúde equipados, serviços de qualidade de atendimento e laboratórios para se fazer um bom diagnóstico."
Para a anestesiologista Paloma Rincon, a manifestação é também pela falta de consideração dos governos com a saúde pública. "Não somos contra a vinda de médicos. Mas eles devem fazer o Revalida (exame de revalidação do diploma). E hoje o médico que vai para o interior recebe no primeiro mês, no segundo recebe, no terceiro já não recebe mais. Então, o que é preciso é uma política de carreira, como acontece com outras profissões", reivindicou.
Estudante da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Mariano Rodrigues também defende a realização do Revalida, como forma de garantir "qualidade". Ele diz que pretende ser clínico geral e que não veria problemas em trabalhar no interior. "O governo federal vem investindo no Programa Saúde da Família (PSF) e tem sido atraente (do ponto de vista financeiro), mas desde que haja condições", destacou.
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto DÁvila, afirmou que o movimento dos médicos "atingiu o objetivo". A entidade não apresentou, no entanto, um balanço do número total de manifestantes nos Estados. "Atingiu o objetivo, que era ir para a rua dizer que defendemos melhores condições de trabalho, mais investimentos na saúde e a sanção do projeto do Ato Médico", afirmou DÁvila. Foram registrados atos em pelo menos 20 Estados.


