Curitiba - Diferentemente dos colegas da maioria dos Estados, os médicos paranaenses não vão paralisar os serviços de atendimento aos clientes de planos de saúde a partir de hoje. A categoria decidiu, após uma assembleia realizada em Curitiba, que vai aguardar a negociação entre a Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor, da Assembleia Legislativa (AL) com as operadoras de saúde. Com isso a possibilidade de suspensão das atividades foi adiada para o dia 25, caso não ocorra uma solução para o impasse entre os profissionais e empresas.
O presidente da comissão, deputado Leonaldo Paranhos (PSC) informou ontem à classe médica que vai encaminhar um ofício às operadoras, cobrando manifestação sobre as reivindicações dos profissionais. A resposta deverá ser dada em até cinco dias. O documento também vai para a Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS).
Os médicos pedem que o valor médio das consultas suba de R$ 45 para taxas superiores a R$ 80 e quer indexação do preço das consultas por índice nacional, com correção anual das tabelas, além do detalhamento nos contratos dos critérios para o descredenciamento do médico, e o fim da interferência dos planos nos atos médicos.
''A decisão de suspender a paralisação mostra o respeito que os médicos têm com a população, pois quando uma pessoa compra um plano de saúde complementar faz isso das operadoras, não dos médicos diretamente'', afirmou o deputado.
Representantes da Associação dos Médicos do Paraná (AMP) e do Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar), acompanharam a sessão de ontem na AL, e reafirmaram o compromisso de manter os atendimentos normalizados, mas lembraram das reivindicações. ''Não queremos mais a perda do valor pago pelo serviço prestado pelos médicos. Existem no Brasil operadores que usam tabelas com defasagem de 20 anos para remunerar os médicos'', reclamou João Carlos Baracho, presidente da AMP.
A opinião de Baracho foi reforçada por Mário Ferrari, presidente do Simepar. ''As operadoras não obedecem às determinações da ANS. A remuneração baixa obriga os profissionais ao excesso de carga horária'', ressaltou.

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