Médicos fazem estudos sobre novas drogas
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de março de 1998
Agência Folha 
O Ministério da Saúde deve divulgar nesta semana um novo consenso médico sobre o emprego das drogas antiretrovirais em pacientes de Aids. O consenso estabelece a utilização e indicação dos medicamentos contra o HIV oferecidos pela rede pública de saúde.
O coquetel - como vem sendo chamada a combinação de drogas - é o responsável pela redução de mortes por Aids no País. Agora, a principal preocupação é combinar medicamentos que possam impedir que o vírus fique resistente às drogas disponíveis.
Um grupo de 14 infectologistas - que periodicamente revisa o consenso do ministério - esteve reunido em Brasília ontem e anteontem discutindo possíveis mudanças no emprego dos remédios. Com base na posição de cada médico, o Programa Nacional de Aids anunciará nos próximos dias as adaptações que fará.
O consenso que está em vigor estabelece o emprego associado de no mínimo duas drogas e, no máximo, três. Duas delas são inibidores de transcriptase reversa (AZT, ddI, ddC, 3TC ou D4T), a outra é um inibidor de protease.
As duas drogas agem em frentes diferentes do vírus e, embora não o elimine, reduzem em muito sua capacidade de replicação e infecção de novas células. É possível que o novo consenso acrescente um outro inibidor de protease - o nelfinavir - aos três já disponíveis, o indinavir, o ritonavir e o saquinavir.
Outra possibilidade em estudo é a adoção da nevirapina, um inibidor de transcriptase reversa não-nucleosídio (que age em outro momento da replicação do vírus HIV).
O infectologista Caio Rosenthal diz que um novo inibidor de transcriptase permite que se retarde o emprego de um inibidor de protease. Com isso, o paciente estará com a situação sob controle por um tempo maior, afirma. Em muitos casos de resistência cruzada, a esperança para o paciente está limitada a uma segunda geração de drogas que só deve estar disponível no próximo ano.
Para reduzir os riscos, a estratégia é manter sempre uma droga de reserva para o caso de resistência, diz o infectologista Wladimir Queiróz, do Emílio Ribas. Outra mudança cogitada pelos médicos é a associação do saquinavir com o ritonavir. Até agora, usava-se um ou outro.
Pedro Chequer, coordenador do Programa Nacional de Aids, diz que a adoção de novas drogas pelo consenso não deve aumentar os custos do tratamento. O Ministério da Saúde estima que gastará R$ 600 milhões este ano com drogas para aids. Desse total, cerca de R$ 520 milhões serão consumidos com antiretrovirais. Para ele, os preços tendem a cair.


