Curitiba- Desde a adolescência, a professora aposentada Ema Luiza Bordignon, hoje com 56 anos, teve problemas para dormir. De ''sono leve'', com ou sem barulho, acordava a cada meia hora. Como resultado, passava o dia cansada, mau-humorada e sonolenta. Nesse tempo, ela se queixou para vários médicos, mas o máximo que conseguiu foram receitas de remédios ''fortíssimos'' para dormir. Só depois de aposentada, é que seu cardiologista a encaminhou para um médico especialista em sono. Diagnosticada e tratada, faz quatro anos que ela comemora sua nova vida. ''Minha vida mudou 90%'', diz.
Ema faz parte de uma fatia considerável da população. Estima-se que 30% a 50% dos brasileiros tenham insônia. O tema está sendo debatido pela Sociedade Brasileira do Sono, Academia Brasileira de Neurologia e Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica. A II Semana Brasileira do Sono começou ontem em Curitiba e vai até sexta-feira.
A maioria das pessoas com insônia dificilmente procura um médico ou se queixa aos clínicos. ''Somente 5% dos isones consultam o médico por este motivo e apenas 1% é encaminhado a um especialista de sono. A conscientização dos médicos é fundamental'', adverte Geraldo Rizzo, presidente da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica.
A dificuldade de dormir não tem causa única e pode se manifestar de diversas formas. ''Geralmente a insônia é um sintoma de outra doença, quase sempre de caráter psicológico. Apenas 15% dos casos são de insônia primária, isto é, sem causa definida. O tratamento depende muito da etiologia, podendo ser farmacológico e/ou comportamental'', diz Rizzo.
Segundo a neurologista Márcia Assis, especialista em Medicina do Sono, o problema pode ser gerado por hábitos de vida errados, como dormir tarde e acordar cedo, fazer refeições pesadas, beber álcool ou fumar muito antes de dormir ou trabalhar até tarde da noite. Em muitos casos, no entanto, ®MDNM¯ pressões e estímulos da vida urbana, que levam a estados de ansiedade, depressão ou estresse fazem com que a pessoa não consiga dormir bem.
''Quem não dorme bem deve procurar ajuda médica, porque dormir mal implica em piora na qualidade de vida'', diz Márcia. Ema conta, que quando exercia o magistério e tinha problemas de sono, vivia cansada. ''Ás vezes eu tinha que sair da sala de aula para lavar o rosto'', lembra. A falta de sono, segundo a neurologista, também pode causar outros prejuízos, como a ocorrência de acidentes e o desenvolvimento de problemas psicológicos, como a depressão.
®MDBO¯

mockup