Médicos e pacientes são alvo de campanha pelo parto normal
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de maio de 2008
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Mais de 80% dos partos realizados no Brasil pela rede privada de saúde são cesarianas. O alto índice motivou a Associação Brasileira das Empresas de Medicina de Grupo (Abramge) a desenvolver a campanha ''Parto é Normal'' lançada, ontem, em Curitiba, que tem como meta a redução de, pelo menos, 5% ao ano no número de cesáreas. O trabalho de conscientização junto à classe médica e pacientes vem reforçar as ações do Ministério da Saúde, que também propôs, esta semana, uma campanha de incentivo ao parto normal.
O presidente da Abramge nacional, Arlindo Almeida, afirmou que a entidade vai atuar junto às operadoras médico-hospitalares para incentivá-las a aderir à campanha. A Abramge desenvolveu material impresso, destinado aos médicos e pacientes, que trata das vantagens do parto normal. A intenção, ainda, é motivar as operadoras a desenvolver um programa de educação continuada da classe médica e ofecer incentivos -profissionais e financeiros- para aqueles que realizarem mais partos normais.
A grande preocupação é com os riscos que a cesariana -como qualquer intervenção cirúrgica- representa. ''O corpo da mulher é feito para ter o parto vaginal, o parto normal. Na cesariana, há o problema da anestesia, da cirurgia em si, de infecção pós-cirúrgica e tromboembolia, que levam a uma maior morbimortalidade'', advertiu Almeida.
Para o presidente da Abramge no Paraná, Cássio Zandoná, a gestante deve ser preparada durante o pré-natal para optar parto normal. Ao mesmo tempo, os hospitais devem criar infra-estrutura para os médicos trabalharem. ''As distorções do mundo moderno levaram a essa mudança cultural: a mulher ser mais inclinada à cesárea. É preciso desmistificar o parto normal e provocar uma outra mudança cultural'', opinou.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que apenas 15% dos partos praticados sejam cesarianas. Considerando, também, os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a média brasileira é de aproximadamente 43%: a segunda maior do mundo, ficando atrás apenas do Chile.
A campanha Parto é Normal será realizada em todos os estados onde a Abramge tem escritórios regionais.


