Curitiba - Médicos dos principais hospitais da capital participaram ontem de um manifesto em frente ao Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A ação aconteceu em apoio ao Dia Nacional do Protesto com o intuito de alertar autoridades e a população em geral sobre as condições de trabalho dos profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS).
''As condições de trabalho não são nem razoáveis. Os médicos se esforçam e recebem R$ 2 por uma consulta - o que é absurdo'', afirmou o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), José Fernando Macedo. Enquanto a tabela de especialidades médicas prevê que a consulta custe R$ 45, o SUS paga R$ 2 para as consultas básicas e R$ 10 para os especialistas.
A idéia é aguardar o período de festas, que se encerra apenas após o Carnaval, para pressionar o governo federal e exigir mudanças que vão desde a regulamentação da Emenda 29 até o reajuste da tabela e a destinação de recursos de forma adequada com o que prevê o orçamento. ''Os municípios precisam destinar 15% do orçamento deles para a saúde. Os Estados têm que destinar 12%. O governo federal deve destinar 10%. Mas isso não acontece. Ninguém cumpre os limites constitucionais'', reclamou Macedo.
Os médicos devem marcar audiência com o ministro José Gomes Temporão em março do ano que vem e dar prazo de 90 dias para que as exigências sejam cumpridas. Caso contrário, prometem radicalizar a manifestação.
Os médicos querem ainda que a tabela praticada pelo SUS seja semelhante à tabela nacional (pelo menos 50% dos valores estipulados nas consultas por convênios e particulares), um piso salarial padronizado no Brasil e um plano de cargos e carreiras para os médicos.

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