Médicos do Rio protestam contra abandono de hospitais universitários
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Roberta Pennafort (especial para a AE) 
Rio, 18 (AE) - O Sindicato dos Médicos e a Federação Nacional de Médicos fizeram hoje, Dia do Médico, uma manifestação de protesto contra o abandono dos hospitais universitários federais do Rio em frente ao Hospital Gaffrée e Guinle, apontado como símbolo do descaso do poder público. Segundo os médicos, a falta de fio cirúrgico vem obrigando-os a cancelar cirurgias no hospital, que já foi centro de referência no tratamento de pacientes com Aids. No hospital Antônio Pedro, o único da cidade de Niterói (Grande Rio) que é da rede pública, a situação também é grave: a emergência já foi fechada por falta de material.
Bonecos gigantes com orelhas de burro representando os ministros da Saúde, José Serra, e da Educação, Paulo Renato, foram usados para mostrar a indignação da classe. "Só burro não percebe que o sucateamento dos hospitais universitários tem que ser revertido", disse Carlos Alberto Moraes de Sá, chefe do serviço de clínica médica do Gaffrée e Guinle e professor da Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio). De acordo com Sá, o hospital necessita de uma verba de R$ 1,5 milhão para atender os mil pacientes que o procuram diariamente, mas a verba destinada é de apenas R$ 400 mil. "Isso quando recebe, porque, na maioria das vezes, o pagamento atrasa e não chega no valor exato", ressalva o médico.
Os problemas do Gaffrée não param por aí. Dos quatro elevadores do hospital, que conta com profissionais das mais diversas áreas, apenas um está em funcionamento. Como o centro cirúrgico é no primeiro andar, é comum pacientes serem levados pelas escadas para a cirurgia. Segundo Sá, a falta de material (como papel higiênico, por exemplo) e medicamentos (como reagentes para testes de glicose no sangue) "prejudica o atendimento e evidencia a negligência do governo". "Não é possível trabalhar em um lugar que em que ninguém investe", diz.
O Hospital Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense (UFF), é considerado o segundo no ranking dos piores do Rio. O hospital já fechou as portas do setor de Obstetrícia por falta de material e também de pessoal.


