Médicos do PR condenados por morte de criança
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terça-feira, 17 de maio de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Dois médicos de Ponta Grossa, o otorrinolaringologista José Artur Sgarbi e o anestesiologista Tadeu Mazurek Júnior, foram condenados pela morte de uma criança de 2 anos, Murilo Specalsiki, ocorrida em 1999. Na sentença, a juiza Vânia Maria da Silva Kramer, da 1 Vara Criminal de Ponta Grossa, alegou que os profissonais foram negligentes e que não prestaram atendimento à criança. A causa do óbito foi hemorragia aguda.
De acordo com o pai da criança, Evaldo Specalsiki, 36, ele e a esposa recorreram a um especialista para tratar o problema de adenóide. Eles teriam sido induzidos a decidir pela cirurgia. ''Mais tarde vim saber com outros profissionais que a cirurgia seria dispensável'', disse o pai. Evaldo conta que na época pagou cerca de R$ 700,00 pelo procedimento cirúrgico.
''Todo o tratamento da criança, incluindo consultas, internação no hospital Vicentino e a última tentativa para salvar o menino que foi a contratação de uma UTI móvel para transportá-lo para Curitiba foi particular'', disse Evaldo.
Segundo ele, 20 minutos após a criança ter entrado no centro cirúrgico para fazer a cirurgia da adenóide voltou desacordado para o quarto nos braços de uma enfermeira. Logo em seguida começou um sangramento pelo nariz e boca da criança.
Preocupados, os pais pediram ajuda aos enfermeiros para que chamassem um médico. ''Por mais de uma hora nenhum médico veio atender meu filho, nem o otorrino nem o anestesista'', disse. Evaldo disse que entrou em desespero ao ver o filho engolir sangue e pedir ajuda ao pai e à mãe, sem que nenhuma providência fosse adotada dentro do hospital. Ainda conforme depoimento do pai, o otorrino José Artur foi até o quarto para ver o menino e comentou com a mãe que poderia fazer uma ''pequena cauterização''. ''Mas não tomou nenhuma iniciativa para esse procedimento'', afirmou.
''Quando a hemorragia estava avançada, as enfermeiras tomaram a iniciativa de levar a criança ao centro cirúrgico para fazer uma aspiração. Foi quando decidiram levar a criança para um hospital em Curitiba, mas ela chegou morta'', disse.
Os médicos já foram condenados em outro processo movido pelos pais da criança, na vara cível, a pagarem uma indenização de R$ 200 mil. Outros processos foram abertos no Conselho Regional de Medicina (CRM) de Ponta Grossa e Curitiba.
Evaldo disse que, se receber a indenização, o valor será doado a entidades assistenciais ''porque o dinheiro não traz o filho de volta''.
Na sentença da Vara Criminal, a juíza determinou que o caso fosse comunicado ao CRM federal, em Brasília, para abertura de processo de cassação dos profissionais, que continuam clinicando na cidade.
A sentença da Vara Criminal condenou os médicos a prestarem serviços comunitários por três anos e uma indenização de 20 salários mínimos à família do menino.


