Médicos do HU atuavam ao mesmo tempo como terceirizados, diz polícia
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segunda-feira, 17 de junho de 2019
Luís Fernando Wiltemburg e Fernanda Circhia - Grupo Folha 

A promotora de Defesa do Patrimônio Público em Londrina, Sandra Koch, determinou a instauração de inquérito civil para apurar possíveis danos ao erário na contratação de duas empresas prestadoras de serviços pelo HU (Hospital Universitário) pela servidora Lucélia Pires Ferreira, encontrada morta em 4 de outubro do ano passado. A portaria foi assinada no dia 1º de junho. A servidora morreu no mesmo dia em que participaria de uma reunião com a diretoria da entidade.
De acordo com delegado Thiago Vicentini, do Núcleo de Combate à Corrupção da Polícia Civil, o objeto do novo inquérito policial instaurado nesta segunda-feira (17), é a constatação de que dez médicos concursados teriam ido ao HU no mesmo dia e horário atuar como terceirizados. "Em nada tem relação com o caso Lucélia. Apenas descobrimos isso durante a investigação do caso da servidora, mas nada em conexão àqueles crimes divulgados no mês de março", esclareceu o delegado.
Além de Lucélia, a portaria cita o nome de outros 26 investigados. Segundo o documento, a maioria dos investigados são médicos. O caso foi escancarado quando pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Paraná pediu esclarecimentos sobre pagamentos feitos em duplicidade em nome de médicos, em meados de 2018.
A apuração do TCE levou à deflagração da Operação Espelho Falso, pela Polícia Civil. Segundo a apuração, a ex-secretária-executiva do HU teria intermediado a contratação de duas empresas prestadoras de serviços que recebiam dinheiro por serviços não prestados ou eram pagas em duplicidade por procedimentos. A investigação policial indica a ocorrência de desvios que chegariam a R$ 1,1 milhão.
No dia 4 de outubro do ano passado, a servidora desapareceu antes da reunião em que daria esclarecimentos sobre as irregularidades e a família chegou a apelar à imprensa para ajudar a localizá-la. O corpo foi encontrado em um rio entre Porecatu e Alvorada do Sul. A morte foi apurada pela Polícia Civil, mas o laudo com a causa da morte foi inconclusivo.


