Médicos do HU apostam em estudo de células-tronco
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sábado, 05 de fevereiro de 2005
Vanessa NavarroReportagem Local 
A equipe de cardiologistas do Hospital Universitário (HU) de Londrina que vai participar da pesquisa nacional sobre o uso de células-tronco em doenças do coração, anunciada pelo Ministério da Saúde nesta semana, está entusiasmada com a iniciativa. Em entrevista coletiva concedida ontem, um dos coordenadores do estudo local, o médico e professor-adjunto da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Samuel Silva da Silva, declarou: ''Se Deus quiser, em três anos, o projeto nos dará uma resposta altamente favorável e inquestionável sobre a eficiência deste tipo de tratamento. Isso vai significar uma esperança concreta, e não mais baseada em achismos.''
Cerca de 40 funcionários do HU, incluindo cardiologistas, hematologistas, enfermeiros e servidores administrativos irão trabalhar na pesquisa, anunciada como a maior do gênero já realizada no mundo. Segundo Silva, o hospital foi escolhido para tomar parte no projeto, junto com cerca de 40 outras instituições brasileiras, por ser ''um centro universitário conhecido nacionalmente, com um dos maiores ambulatórios de tratamento da doença de Chagas e uma vasta pesquisa na área''. Dentre as doenças que serão estudadas, duas irão compôr a linha de pesquisa do HU: o infarto agudo do miocárdio e a cardiopatia chagásica.
Ainda não se sabe quantos pacientes participarão da pesquisa em Londrina, dentre os 1,2 mil que serão selecionados em todo o Brasil. Silva adiantou apenas que, provavelmente, os pacientes de infarto agudo serão recrutados na própria cidade, enquanto as vítimas da doença de Chagas poderão ser encaminhadas ao HU de outras partes do País. Questionado sobre a possibilidade de um grande número de enfermos se interessar em participar dos testes, o médico ponderou: ''Por mais que estejamos muito otimistas, é importante que as pessoas tenham em mente que só ao final do estudo saberemos se essa tecnologia é eficiente ou não''.
Além disso, apenas metade dos pacientes empregados na pesquisa será tratada com as células-tronco, sendo que a outra metade receberá o tratamento tradicional. Ocorre que a pesquisa funcionará sob o sistema ''duplo-cego'': nem os pacientes, nem os médicos saberão quem está sendo submetido a cada tipo de tratamento.


