Médicos discutem doenças tropicais em florestas brasileiras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de setembro de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 21 (AE) - A ocupação indiscriminada das florestas brasileiras, com o consequente desmatamento e baixa qualidade de vida, tem contribuído para aumentar o número de pacientes das doenças tropicais, principalmente a malária.
Essa é uma das principais preocupações dos médicos e pesquisadores do Programa de Doenças Tropicais da Organização Mundial de Saúde (OMS), que se reuniram hoje, em Salvador, para discutir ações com o objetivo de combater as endemias.
Além da malária, que mata 1,5 milhão de pessoas no mundo
das quais 10 mil no Brasil, o avanço da esquitossomose, leishimaniose e tuberculose vem mobilizando os pesquisadores. O diretor do Programa de Pesquisas de Doenças Tropicais da OMS no Brasil, Carlos Morel, explica que uma área de garimpo, por exemplo, caracterizada pela degradação da natureza, é ambiente propício para a proliferação dos agentes transmissores das moléstias. Na região amazônica, onde se localizam as maiores áreas de garimpo do País, está quase a totalidade dos 600 mil casos de malária existentes no Brasil. Segundo o presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Elói Garcia, o País precisa promover um controle sustentável da natureza com o objetivo de conter o avanço da malária a ponto da doença se tornar incontrolável, no futuro.
Morel informou que vacinas contra a malária estão sendo testadas na América Latina, áfrica e ásia. As que se mostraram mais eficientes (taxas de 30% a 35%) foram as desenvolvidas na Colômbia. Contudo, a droga não funcionou em pacientes infectados na áfrica, pois o parasita causador da malária nessa região é o mais resistente do mundo. A OMS tem uma divisão especifica para estudar novas drogas visando a combater as endemias, a Tripical Disease Research, que comanda as pesquisas no mundo. Mas Morel lembra que, se não forem criados mecanismos de controle das ocupações nas áreas tropicais e adotados sistemas de fornecimento de água potável nas cidades próximas às florestas, os novos medicamentos não serão suficientes para conter o alastramento das doenças.


