Médicos descobrem o poder do marketing
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domingo, 21 de janeiro de 2007
Adriana Dias Lopes<br>Agência Estado 
São Paulo - A partir de R$ 500 por mês, o médico pode dar um empurrão na carreira. Isso se ele trabalhar em um consultório. No caso de uma clínica, o custo do sucesso pode ser o dobro. Os preços são referentes à média cobrada por empresas especializadas em marketing médico, que nunca arrebanharam tantos clientes como nos últimos anos. Essas empresas convencem médicos a usar recursos básicos de publicidade, até pouco tempo impensáveis na profissão.
Não há estatísticas de quantos médicos recorrem ao meio publicitário para conquistar ''clientes-pacientes''. Mas o curso de extensão em Marketing na Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) - R$ 500 por mês - mostra um caminho. Há quatro anos, quando começou, a maioria dos alunos vinha de hospitais (40% do total). Médicos, 20%. Na última turma, a situação foi inversa - 50% médicos e 20% hospitais. Os outros eram de laboratórios e planos.
O número de pacientes do radiologista Décio Roveda, da Santa Casa de São Paulo, triplicou nos últimos dois anos depois de mudanças drásticas na imagem e no foco de trabalho - resultado da estratégida usada por uma consultoria de marketing. Em 1994, ele e mais três sócios fundaram um laboratório de exames que não deu lucro até 2000. ''Não bastavam nossas credenciais, éramos dispersos, íamos simplesmente atendendo as pessoas, sem nenhum plano'', lembra.
De Grupo Integrado de Patologia Genital Feminina, o negócio passou a se chamar Femme Laboratório da Mulher. O alvo virou a mulher - apesar do antigo nome, eles atendiam homens e crianças. Uma consultoria de Recursos Humanos foi contratada e tudo passou a girar em torno do bem-estar da mulher - da distribuição dos aparelhos de imagens (ficaram mais próximos para evitar o deslocamento da paciente na clínica) às paredes rosa e banheiros decorados com flores e sachês. O grupo de médicos também contratou uma equipe para ajudá-los a promover palestras.
''Dificilmente hoje um médico dos grandes centros não usou pelo menos um instrumento de marketing no consultório nos últimos cinco anos'', avalia Luiz Cláudio Zenone, professor do curso de Marketing na Saúde da PUC.
Para o Conselho Federal de Medicina (Resolução 1.701), o médico só pode usar os meios de comunicação leiga para prestar informações com fins educativos. A regra é obrigatória a todos os 130 clientes de uma das maiores empresas de marketing para médicos, a ABCD Marketing e Publicidade. ''O segredo é vincular o nome da clínica à campanhas. Não tem erro'', diz o publicitário Carlos Roberto Ventrilho, proprietário do lugar. ''Época de dengue, por exemplo, meus médicos fazem palestras em escolas próximas ao consultório.''
Entre as dicas marqueteiras, é preciso ser o mais próximo possível do paciente, o que inclui desde usar avental em vez de roupa branca (segundo regras, a roupa comum embaixo do avental dá a impressão de familiaridade) a telefonar (o médico e não a secretária) para o paciente lembrando do retorno.


