Médicos deixam de atender hoje planos de saúde
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de março de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Médicos de todo o País prometem paralisar hoje, entre 7 e 11 horas, o atendimento a consultas e procedimentos eletivos dos planos e seguros de saúde. Em Curitiba, a expectativa da Associação Médica do Paraná e outras entidades que organizam a mobilização, é de que mil profissionais se engajem ao protesto. O protesto acontece em todo o Estado, mas a entidade não tem uma estimativa da adesão no Interior. A classe médica pede o reajuste e a uniformização dos honorários pagos pelas operadoras, com a implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM).
A partir das 10 horas, médicos de diversas especialidades realizam ato público na Boca Maldita, no centro de Curitiba, para chamar a atenção da opinião pública para o problema. Eles alegam que a defasagem nos honorários chega a 300%, já que não são atualizados desde 1994, e os custos operacionais tiveram aumento de 100%. O resultado disso seria a queda na qualidade do atendimento, uma vez que os médicos precisariam trabalhar mais de 12 a 14 horas para compensar a baixa remuneração paga pelos planos de saúde.
Os médicos asseguram que o atendimento de urgência e emergência não será interrompido, mas parte da rede hospitalar paralisará, por algumas horas, o atendimento das consultas eletivas.
A Associação Brasileira de Medicina de Grupo, divisão Paraná e Santa Catarina (Abramge PR/SC), informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não concorda com a forma com que a classe médica está conduzindo o movimento. A entidade argumenta que em nenhum momento foi chamada para discutir essas questões.
Segundo a Abramge, as operadoras de saúde registraram um aumento de 14% nos custos administrativos em virtude do aumento da sinistralidade em 83%; pela perda da receita de seis milhões de usuários que migraram para o Sistema Único de Saúde (SUS); além da inadimplência que gira em torno de 20% e o engessamento dos reajustes insuficientes concedidos nos últimos cinco anos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).


