Brasília, DF- Entidades médicas defenderam ontem ''antecipação do parto'' de fetos com anencefalia durante a segunda audiência pública feita pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Durante toda a audiência, os médicos evitaram usar o termo aborto que, segundo eles, só ocorreria se o feto tivesse vida. O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D'ávila, disse que o órgão é favorável à antecipação do parto nesses casos.
Segundo D'Ávila, como a legislação proíbe o aborto, o conselho determina que os médicos orientem suas pacientes a procurar a Justiça. ''Entendemos que essas pacientes estão submetidas a riscos. Somos obrigados a mandar os médicos orientarem suas pacientes a buscarem o judiciário. Dessa forma, está havendo uma judicialização da medicina'', disse.
O médico Jorge Andalaft Neto, representante da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) apresentou estudos que mostram que 7% das gestantes de fetos anencéfalos sofrem deslocamento de placenta e 4% passam por uma histerectomia (retirada do útero). Ele apresentou ainda dados de pesquisa feita com 4.320 ginecologistas que mostra que 83,5% consideram que a gravidez traz riscos físicos e mentais para a mulher e deve ser evitada.
O representante da Sociedade Brasileira de Medicina Fetal, Heverton Pettersen, mostrou ultra-sonografias e exames de Marcela de Jesus -menina diagnosticada com anencefalia que sobreviveu 1 ano e 8 meses- e disse que não se trata de uma criança com anencefalia, principalmente por apresentar cerebelo. ''Permanecer no luto durante seis meses seria uma tortura psicológica que não podemos aceitar diante da tecnologia que hoje possuímos'', completou.
Durante a audiência, o ministro Carlos Alberto Direito questionou a fidelidade dos exames que indicam a anencefalia. Ligado à Igreja Católica, Direito deve votar contra o aborto de anencéfalos.
Na próxima semana, nova audiência no STF vai ouvir representantes da sociedade.

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