Médicos decidem hoje sobre paralisação
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Mariana Guerin eCaroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Londrina - Médicos plantonistas de 24 especialidades do Hospital Evangélico (HE) de Londrina decidem hoje pela manhã se voltam ao atendimento no Pronto-Socorro, fechado desde as sete horas de ontem devido ao atraso no pagamento dos atendimentos feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os especialistas, que cumprem plantão a distância e são acionados em caso de urgência e emergência, receberam os valores referentes a julho e agosto, mas ainda não receberam os pagamentos de setembro, outubro e novembro. O montante da dívida é de R$ 603.720.
Ontem a tarde, em uma reunião com a direção e o corpo clínico dos hospitais Evangélico, Santa Casa e Infantil, a prefeitura e o governo estadual propuseram pagar R$ 361 mil mensais aos plantonistas para garantir o atendimento de urgência e emergência até março de 2010. ''O Estado entrará com R$ 100 mil mensais e o Município com R$ 260 mil. Vamos fazer um esforço para que até o final de janeiro seja quitada a diferença de novembro e dezembro. A partir de fevereiro entra-se na regularidade da remuneração do serviço'', explicou o secretário estadual de Saúde, Gilberto Martin.
O secretário também informou que o prefeito Barbosa Neto (PDT) tem uma audiência no dia 13 de janeiro com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para discutir aumento no teto financeiro repassado ao Município, cujo deficit atualmente é de cerca de R$ 3 milhões.
O superintendente da Irmandade Santa Casa de Londrina (Iscal), Fahd Haddad, disse que, em função do valor repassado, será necessário reorganizar as escalas de plantão e pagar um valor diferenciado às especialidades com menor demanda para que o atendimento à população não seja prejudicado. ''Temos que tentar caminhar para uma futura negociação em março com valores mais adequados'', salientou. O diretor administrativo do HE, Luiz Koury, também informou que a Santa Casa e o Evangélico poderão poderão trabalhar com escalas em comum, visto que pertencem ao mesmo grupo.
Ontem pela manhã, o diretor médico do Evangélico, Osnei Marques, informou que em reuniões prévias com representantes da Secretaria Municipal de Saúde já havia sido informado que a escala dos plantonistas funcionaria até dia 28 de dezembro e que os serviços seriam suspensos se não houvesse uma nova proposta da Prefeitura. ''Não há uma perspectiva real para os médicos que dão retaguarda ao atendimento no pronto-socorro e por uma questão técnica seria uma irresponsabilidade manter o PS aberto'', justificou o diretor.
Em novembro, os plantonistas dos hospitais filantrópicos de Londrina já haviam paralisado suas atividades por cinco dias em função do atraso e suspensão do pagamento dos incentivos municipais dos plantões a distância: R$ 160,00 de sobreaviso para o período de 24 horas, mais R$ 60,00 pela consulta. O município suspendeu o pagamento dos incentivos em julho, alegando que estes eram feitos ilegalmente com recursos do Ministério da Saúde. No primeiro dia da paralisação, o Executivo encaminhou um projeto à Câmara o qual, depois de aprovado, autorizou o pagamento dos incentivos com recursos do Tesouro Municipal.


