Médicos de Cascavel ameaçam acionar MP por medicamento
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quarta-feira, 05 de agosto de 2009
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Pacientes de Cascavel que apresentarem sintomas da gripe A (H1N1), como febre acima de 38 graus e tosse, serão medicados com o remédio Tamiflu. A decisão foi tomada na noite de ontem, em reunião realizada por aproximadamente 100 profissionais que integram a Associação Médica da cidade. Como apenas alguns postos de saúde possuem a medicação, o Ministério Público (MP) será acionado caso os pacientes não tenham acesso ao Tamiflu.
Nós vamos prescrever o remédio apenas para os pacientes que apresentarem os sintomas da nova gripe. Eles serão encaminhados para o centro de triagem para receber a medicação. Caso isso não ocorra vamos tomar as providências com o MP estadual ou federal, explica o médico Márcio Nogueira, clínico geral, especialista em reumatologia e professor da Unioeste. Foz do Iguaçu e a cidade gaúcha de Passo Fundo já adotaram esse sistema. Cascavel tem oito óbitos não confirmados e cinco pacientes na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) suspeitos de estarem com a gripe A. Ao todo a cidade tem 393 casos suspeitos.
Os integrantes da associação irão tomar a mesma medida caso o estoque de Tamiflu acabe na cidade. Na tarde de ontem foram distribuídas 50 caixas e a estimativa é que, se a demanda continuar assim, o medicamento acabe até o final desta semana. Após a reunião de ontem colocamos a nossa postura em relação ao assunto e tivemos o comprometimento das autoridades, explica Nogueira. Com esta decisão, a previsão é de que aumente a prescrição e a necessidade do Tamiflu em Cascavel.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) argumenta, por meio de sua assessoria de imprensa, que não foi notificada ou informada oficialmente da decisão dos médicos. A Sesa reiterou que é imprescindível a existência e cumprimento do protocolo do Ministério da Saúde, enfatizando que o tratamento do paciente, por consequência, a prescrição do Tamiflu, depende, exclusivamente, de avaliação clínica. Em momento algum faltou ou há perspectiva de ausência do medicamento para quem de fato necessite, informou em nota.
A Promotoria de Justiça de Proteção à Saúde Pública de Ponta Grossa instaurou, ontem, inquérito civil público para verificar as providências que estão sendo tomadas pelo Estado e pelo município em relação à proliferação do vírus H1N1, causador da gripe A. O inquérito foi instaurado devido a informações de que o município não teria tomado medidas adequadas à contenção e à prevenção da influenza.
Foram enviados ofícios à 3ªRegional de Saúde e ao prefeito municipal, requerendo informações sobre as medidas já adotadas em relação ao município de Ponta Grossa. A Promotoria estabeleceu prazo de 24 horas para o envio das informações.


