Médicos cruzam os braços contra planos de saúde
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terça-feira, 20 de setembro de 2011
Rubens Chueire Jr. <br>Equipe da FOLHA 
Curitiba - Cerca de 10 mil médicos credenciados às operadoras de saúde de todo o Paraná paralisam suas atividades nesta quarta-feira, no Dia Nacional de Suspensão do Atendimento aos Planos de Saúde. A mobilização foi definida pelas entidades médicas nacionais e acontecerá em todo o país em protesto contra as operadoras que ainda não concederam reajuste nos valores pagos pelas consultas médicas. Os atendimentos de urgência e emergência vão continuar sendo realizados, mas as consultas já marcadas para o dia 21 terão que ser removidas para outros dias. Em todo o Paraná, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), são 2.478.625 pessoas atendidas por operadoras de saúde, representanto cerca de 20% da população total do Estado.
Segundo a Comissão Estadual de Honorários Médicos nenhum plano de saúde chegou a um acordo sobre o reajuste no valor das consultas e, por isso, todos serão alvo do protesto. Na última quinta-feira, as operadoras Unidas, Fundação Copel, Amil, Clinipam e Promed foram notificadas sobre o ato, numa última tentativa de negociação, mas não responderam à solicitação da categoria.
A manifestação de 24 horas ocorre seis meses após o alerta nacional promovido em 7 de abril. A categoria exige dos planos de saúde a revisão dos valores pagos por consultas médicas para R$ 80 no Paraná (nos demais estados o valor é de R$ 60), revisão para outros serviços tendo como parâmetro e referência a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), celebração de contratos coletivos de trabalho com regras definidas de admissão e descredenciamento, além do fim da interferência antiética das operadoras na autonomia do profissional. A reorganização da própria assistência suplementar também está na pauta da classe.
Descredenciamento
Até o início do ano, segundo a Associação Médica do Paraná (AMP) aproximadamente 2 mil médicos se descredenciaram das operadoras em todo o Estado. Segundo a entidade, este número pode ser maior porque nem todos os profissionais comunicam a decisão.
O descredenciamento individual está ocorrendo porque, segundo a AMP, o Conselho Regional de Medicina (CRM-PR) e o Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar), são 10 anos de defasagem nos valores das consultas. Em média, no ano de 2007, o valor pago era de R$ 37. Neste ano, um médico segue recebendo pelo procedimento cerca de R$ 40. ''A defasagem nos valores é muito grande. Não houve evolução nas negociações com as empresas, a proposta apresentada ficou muito aquém do esperado'', destacou o presidente eleito e vice-presidente da atual gestão da AMP, João Carlos Baracho.


