Londrina - Amanhã é comemorado o Dia Mundial da Sáude. Paradoxalmente, uma parte importante dos serviços médicos do País ficará parada na data comemorativa. Profissionais descontentes com a remuneração de planos e seguros de saúde cruzarão os braços como forma de protesto. No Paraná, fisioterapeutas e dentistas também participam do movimento.
''Queremos sensibilizar a população e a Agência Nacional de Saúde Suplementar para que sejam abertas negociações, pois a atual situação não pode permanecer'', destacou o presidente da Associação Médica de Londrina, Antonio Caetano de Paula.
O Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar) organizou, no final da tarde de ontem, na Boca Maldita, em Curitiba, um momento de esclarecimento à população sobre o movimento. Foram distribuídos panfletos explicativos com uma carta aberta à população, escrita pela Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam).
''O objetivo do documento é deixar claro quais são os motivos do manifesto dos médicos. Os planos de saúde aumentaram em 136% as mensalidades dos usuários, enquanto isso, há 18 anos recebemos reajuste irrisório do que nos é repassado dos atendimentos'', diz o diretor do Simepar, Sidon Mendes de Oliveira.
Apesar da paralisação, os serviços de urgência e emergência serão realizados normalmente. ''Não atenderemos consultas eletivas, previamente agendadas'', explicou o diretor de defesa profissional da Sociedade Brasileira de Pediatria, Milton Macedo.
Segundo Macedo, grande parte dos cerca de cem pediatras que trabalham em Londrina participarão do movimento. ''Adesão é grande, é um sacolejo para que os planos e seguros tenham o mínimo de respeito ao profissional e ao usuário'', alfinetou.
De acordo com o diretor da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Pedro Garcia Lopes, ''há convênios que estão pagando tabelas de 1992, com praticamente 20 anos de defasagem'', observou. Segundo ele, o valor médio recebido dos planos por consulta é de R$ 40 - a categoria defende valor mínimo de R$ 60. ''Um estudo da AMB constatou que se um médico fizer 170 consultas por mês e colocar em uma planilha todos os custos de manutenção do consultório - desde secretária até luz, água, telefone, impostos - sobra em média R$ 5 líquidos por consulta'', disse.
De acordo com o presidente da Associação das Entidades Paranaenses de Autogestão em Saúde, Mauro Pereira, grandes empresas que mantêm planos para atender seus funcionários remuneram os profissionais por valores referenciais da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (Cbhpm). ''O último reajuste nas consultas aconteceu em maio de 2010 obedecendo a Cbhpm, que é proposto pelos próprios médicos'', afirmou.
Segundo Pereira as empresas de autogestão estão abertas ao diálogo e respeitam o movimento dos profissionais. ''Temos uma reunião agendada para o dia 18 de abril para negociar com a Associação Médica'', afirmou.
A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) informou por meio de nota que ''não faz parte de suas atribuições discutir remuneração a prestadores de serviços, sejam médicos, hospitais ou laboratórios.'' (Colaborou Adriana Franco)

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