Médicos condenam saúde dos municípios
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terça-feira, 18 de setembro de 2007
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As condições precárias de acesso e a falta de comunicação comprometem o atendimento na área da saúde no município de Doutor Ulysses (117 km ao norte de Curitiba). Essa foi a avaliação preliminar feita pela caravana do Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar), que iniciou, na última segunda-feira, um diagnóstico do perfil dos municípios paranaenses com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) -indicador que mede a qualidade de vida da população.
Até sexta-feira, os representantes do Simepar deverão passar por Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), Imbaú (104 km ao norte de Ponta Grossa), Reserva (98 km ao norte de Ponta Grossa) e Mato Rico (165 km a oeste de Guarapuava), aplicando os questionários junto ao Executivo, profissionais da área de saúde e moradores. Essas informações serão reunidas em um relatório e repassadas para a Federação Nacional dos Médicos (Fenam). A intenção é de que esse levantamento sirva de subsídio para definição de políticas públicas nas áreas social e da saúde e para que as entidades possam cobrar dos governantes ações para reverter os problemas detectados.
O diretor do Simepar e organizador da caravana, José Valêncio de Almeida, relatou que a dificuldade de chegar em Doutor Ulysses ou de sair do município rumo a Curitiba é um grande transtorno para os moradores que precisam de atendimento médico especializado. ''O médico não quer ir para lá'', afirmou Almeida, ao lembrar que apenas dois profissionais atuam na cidade de pouco mais de 6 mil habitantes. ''Quando um médico sai de lá, a prefeitura leva de quatro a seis meses para conseguir contratar outro'', acrescentou.
Ainda de acordo com Almeida, a falta de lazer na cidade gera outro grave problema: adolescentes e jovens induzidos mais facilmente ao alcoolismo. Mesmo com todos os problemas, preliminarmente, o levantamento mostra que a população de Doutor Ulysses considera ''boa'' a prestação de serviços públicos.
A primeira caravana de médicos com o propósito de conhecer 'in loco' a realidade de municípios com baixo índice de desenvolvimento foi uma iniciativa da Associação Médica e do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco. O primeiro levantamento foi realizado, em 2005, e, logo depois, instituições do Ceará adotaram a idéia. Com base nos dados coletados durante a caravana, o governo de Pernambuco lançou uma campanha de combate à exploração da prostituição infantil.
No momento, apenas o Paraná trabalha no diagnóstico da saúde nos municípios menos desenvolvidos. A intenção do Simepar é ampliar esse projeto para outros municípios paranaenses, no próximo ano.


