Médicos cobram ações para municípios com menor IDH
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terça-feira, 02 de outubro de 2007
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- Levantamento realizado pelo Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar), nos cinco municípios paranaenses com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) -indicador de qualidade de vida, mostrou que a crise na área da saúde não é recente e os problemas são semelhantes. O relatório, divulgado ontem, aponta a falta de médicos, equipamentos para exames, ambulâncias e medicamentos e a precariedade nas condições de higiene como principais dificuldades em comum. A escassez de recursos para fazer frente a essas demandas, também, ficou evidenciada na pesquisa feita pela entidade.
Da metade para o final de setembro, a comissão de médicos ligados ao Simepar visitou os municípios de Doutor Ulysses, Imbaú, Ortigueira, Reserva e Mato Rico. Além de conferir, pessoalmente, a estrutura das unidades de saúde, a ''caravana'' aplicou questionários junto aos gestores da área, representantes dos conselhos de saúde e tutelar e junto à população, que expôs outros problemas como a precariedade nos serviços de esgotamento sanitário e transporte público. O alto índice de desempregados, a violência doméstica e a exploração sexual infantil foram elencados como agravantes da situação socioeconômica desses municípios.
O relatório da caravana será encaminhado à Federação Nacional dos Médicos (Fenam), que entregará o levantamento dos dados às autoridades federais, cobrando as ações para reverter a situação.
O presidente do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde (Cosens) e secretário de Saúde de Maringá, Antônio Carlos Nardi, concorda que os problemas levantados pelo Simepar fazem parte da realidade dos municípios de menor IDH. Ele destacou que uma das ações do conselho, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde, há cerca de cinco anos, tem sido a de rever a distribuição de recursos.
Nardi citou a distribuição per capita dos recursos de assistência farmacêutica básica, do teto financeiro de vigilância em saúde e dos recursos para capacitação e formação profissional, que seguem o critério do ''delta invertido'': mais dinheiro para os municípios que têm menor IDH e vice-versa. ''Dessa forma, esperamos poder corrigir parcialmente as iniquidades assistenciais na área de saúde desses municípios. Mas, a solução não será dada só pelos gestores municipais'', reforçou.


