Médicos buscam vida longa sem medicamentos
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sexta-feira, 20 de maio de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Nunca é tarde demais para começar a cuidar do coração. A qualquer tempo, em qualquer idade, é possível mudar o estilo de vida e ter benefícios na prevenção de doenças cardiovasculares. É o que garante o cardiologista do Instituto do Coração (Incor) Raul Santos, livre docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Santos participa da 6 Conferência Internacional de Cardiologia Preventiva, que começa hoje em Foz do Iguaçu. O objetivo da conferência, que deve reunir mais de 1,5 mil profissionais da área, até o próximo dia 25, é divulgar as últimas tecnologias em diagnósticos e tratamentos e discutir como é possível ter uma vida mais longa e saudável sem o uso de medicamentos.
Principal causa de morte no mundo, o médico lembra que no Brasil os casos de doenças cardiovasculares triplicaram nos últimos 60 anos. Estatísticas apontam que em 2040 o Brasil poderá ser o país com o maior número de novos casos. ''Isso, se nada for feito'', ressaltou.
Boa parte da prevenção, explica o cardiologista, está na mudança de hábitos alimentares, em conjunto com a prática de atividades físicas. Segundo ele, apenas esses cuidados podem reduzir em 20% a 30% o risco de uma doença cardiovascular. ''Se tirar o cigarro então, soma-se 20% na redução dos riscos'', completou.
Ele explica que o entupimento das artérias, que podem resultar em derrame ou infarto, se inicia na infância por conta de dieta inadequada, com um ''consumo exagerado'' de fast foods, alimentos industrializados, de gordura saturada, encontrada no queijo, leite e carnes vermelhas, e de carboidratos refinados (pão, açúcar e arroz).
Tudo isso somado a baixa ingestão de frutas, legumes e verduras e de um outro grande ''inimigo'' descoberto recentemente, a gordura trans. Encontrada em biscoitos, gorduras para fritura, margarinas e salgadinhos de pacote, entre outros, contribui para aumentar o nível do ''mau'' colesterol (LDL) e reduzir o ''bom'' (HDL). ''O que se sabe é que se você aumenta em 5% o consumo de gordura trans, aumenta em 20% o risco de doenças cardiovasculares''.
Segundo o médico, a alimentação rica em gorduras e carboidratos simples leva ao excesso de peso, aumento da pressão arterial e aumento do risco de desenvolver diabetes - todos fatores de risco para problemas no coração. Ele cita o exemplo da Finlândia, que na década de 70 era o país ''campeão dos infartos''. ''Eles só cozinhavam na manteiga e tinham um dos maiores consumos de leite. Eles tiveram uma redução de 50% da mortalidade e queda de 20% no colesterol depois que passaram a cozinhar com óleos vegetais e aumentaram a ingestão de frutas por pessoa de 20 quilos por ano para 50 quilos'', exemplificou.
A alimentação saudável, resume Santos, significa ingerir carboidratos complexos (grãos, arroz e pão integral), frutas, verduras e legumes e o mínimo de gordura. E uma vida saudável é associar tudo isso à prática de exercícios físicos.


