Médicos avaliam terapia contra o câncer
Cientista italiano chega ao País para uma série de palestras sobre a multiterapia que, ele afirma, tem levado à cura da doença
Agência Estado
Fisiologista, bioquímico e cientista, o médico italiano Luigi Di Bella, de 86 anos, está no Brasil pela primeira vez para apresentar aos médicos brasileiros seu método de tratamento do câncer: a multiterapia Di Bella - uma combinação de quatro medicamentos. De acordo com a equipe do médico, o tratamento, que não apresenta efeitos colaterais e já foi usado por cerca de 50 mil pessoas, teria alcançado 60% de cura em tumores sólidos e 85% de cura em tumores linfáticos. Di Bella, no entanto, não tem estatísticas precisas do porcentual de cura.
O método começou a ser desenvolvido por Di Bella em 1963. Desde essa época, o médico vem aplicando o tratamento gratuitamente em pacientes interessados. ‘‘É a cura definitiva para o tumor’’, disse o médico em palestra ontem, no Hospital da Lagoa, no Rio. A multiterapia combina o uso de quatro substâncias, retinóides, melatonina, inibidores de prolactina e somatostatina. O medicamento é feito em farmácias de manipulação, em quantidades diferentes para cada paciente. As três primeiras são tomadas por via oral e a última é injetada.
Segundo os defensores do método Di Bella, a combinação não só impede o crescimento do tumor como o faz regredir, criando um ambiente hostil para a proliferação das células cancerígenas no organismo e potencializando o sistema imunológico.
‘‘O tratamento pode ser usado para qualquer tipo de câncer e em qualquer estágio da doença, inclusive em quem já apresenta metástase’’, afirmou Di Bella. ‘‘Mas não pode ser usado ao mesmo tempo com outros tratamentos, como a quimioterapia, por exemplo.’’
A maior vantagem, segundo o médico, é que a multiterapia não agride o organismo como os demais métodos. Di Bella passará uma semana no Brasil. Ele vai atender pacientes e dar palestras a médicos interessados em aplicar o método no País.
Atualmente apenas oito brasileiros usam esse tratamento. A dona-de-casa Ana Franco, de 62, que sofre de câncer no estômago há cinco anos e já apresenta metástases por todo o corpo, é uma destas pessoas.
‘‘Ela estava desenganada pelos médicos que, inclusive, me desaconselharam de tentar qualquer terapia’’, contou sua filha, Ana Salete Diniz. Ana Franco está fazendo o tratamento há um mês. Segundo sua filha, as fortes dores que sua mãe sentia em todo o corpo desapareceram.
Outro que usa o método é o industrial italiano Gaetano Costanzo, que sofre de câncer na próstata há cinco anos. ‘‘Estou seguindo o tratamento há uma semana apenas, mas estou confiante’’, afirmou.
A multiterapia Di Bella já causou polêmica na Itália, onde seus opositores questionam o fato de o médico não ter estatísticas de cura e de não ter cumprido todas as fases de testagem - ele não fez, por exemplo, testes em animais. A equipe de Di Bella garante, no entanto, que o Food and Drug Administration (FDA) - órgão norte-americano que regulamenta o comércio de produtos farmacêuticos e de alimentos - deu um parecer afirmando que o tratamento não é tóxico.
‘‘Ele tem que enfrentar os interesses das multinacionais de remédios e dos defensores dos tratamentos convencionais’’, justifica Gaetano Constanzo.

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