A necessidade de reposição hormonal em homens ainda é pouco conhecida, mas a comunidade científica já estuda possíveis benefícios de uma reposição feita de forma preventiva. Esse foi um dos pontos discutidos durante o Simpósio Internacional Schering sobre Reposição Hormonal Masculina, na última semana, em São Paulo.
Segundo o urologista Ernani Rhoden, professor da Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre (RS), com pós-doutorado em Harvard, pesquisas indicam que há uma relação entre a falta de testosterona (hormônio masculino), o desenvolvimento de diabetes e o aumento de fatores de risco da síndrome metabólica.
Estudos científicos, segundo o médico Farid Saad, pesquisador e endocrinologista alemão responsável pela área de andrologia da Schering AG Alemanha, apontam que o hipogonadismo, deficiência androgênica na maturidade masculina, é comum em pacientes com diabetes tipo 2 e com doenças cardiovasculares, e que os homens obesos tem níveis menores de testosterona que os não-obesos.
Há indícios ainda de que a disfunção erétil pode ser o primeiro sintoma e tem relevância na detecção de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Ele aponta ainda que estudos pilotos usando testosterona em homens com hipogonadismo com ou sem obesidade abdominal, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, sugerem melhora global da síndrome metabólica e doenças relacionadas. ®MDNM¯''Ainda se conhece pouco os potenciais efeitos da testosterona em outras funções. A síndrome metabólica tem a questão idade relacionada, mas não se sabe se esses eventos (diminuição da testosterona com o envelhecimento) estão inter-relacionados'', avalia.
Hoje, a reposição hormonal masculina, segundo Rhoden, só é recomendada para aqueles que tem sintomas de andropausa. A discussão em torno do tema é polêmica. Isto porque alguns especialistas acreditam que a reposição hormonal possa estar relacionada com o aumento das chances de desenvolvimento de câncer de próstata. ''Mas quando a reposição é feita de forma que fique dentro dos níveis fisiológicos, o risco é semelhante ao da pessoa que não faz'', defende Rhoden.
Ele explica que nos homens a produção de testosterona vai diminuindo gradualmente com o envelhecimento, e na faixa dos 50 anos de idade, cerca de 20% podem ter os sintomas do distúrbio. Na faixa dos 60 anos, esse índice aumenta para 30%, e na dos 70, para 40%.
Os sintomas se manifestam na esfera sexual (diminuição de libido, disfunção erétil, alterações no orgasmo e na ejaculação); na esfera física (falta de energia e diminuição da massa muscular), e na esfera psíquica (irritabilidade, alterações de sono e depressão).

mockup