Médicos ameaçam greve por atraso salarial
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sábado, 20 de dezembro de 2014
Lucio Flávio Cruz <br>Reportagem Local 
Londrina Médicos plantonistas que atendem nos hospitais da Zona Norte e Sul de Londrina poderão entrar em greve em virtude do atraso nos salários. Os profissionais, que são contratados por empresas terceirizadas, ainda não receberam os vencimentos do mês de novembro e reclamam também dos atrasos salariais constantes, além do número reduzido de médicos e sucateamento dos equipamentos.
O problema é consequência do atraso dos repasses de R$ 3 bilhões por parte do Ministério da Saúde (MS), que deveriam ter sido pagos até o dia 10 para cobrir as despesas com cirurgias, transplantes e atendimentos de emergência nas unidades de média e alta complexidade de todo o País.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) admitiu o atraso, mas garantiu que não houve prejuízo no atendimento à população. A denúncia dos atrasos salariais foi protocolada no Ministério Público em Londrina.
De acordo com a Sesa, os recursos que serão destinados ao Paraná ainda não haviam sido depositados pelo MS até a tarde de ontem. O Ministério da Saúde havia garantido que R$ 2 bilhões, ou 70% do total, seriam creditados até ontem e os 30% restantes serão repassados entre os dias 2 e 5 de janeiro.
O pagamento aos médicos terceirizados dos dois hospitais é realizado através do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), com recursos repassados pelo município de Londrina e pelo Governo do Estado. Londrina faz a gestão plena da saúde e por isso recebe os recursos direto do MS. "Recebemos na quinta-feira 68% de um total de R$ 13 milhões. Acredito que até segunda-feira a parcela do Cismepar será repassada", revelou o secretário municipal de Saúde, Mohamed El Kadri.
Uma reunião na quinta-feira entre diretores do Cismepar e dos hospitais da Zona Norte e Sul discutiu a situação. "Com esta promessa do Ministério da Saúde acreditamos que até terça-feira o dinheiro será repassado ao Estado e depois ao Cismepar. É uma situação desagradável e que traz irritabilidade para os médicos, que também têm os seus compromissos. Mas os salários são prioridade e não há risco de não serem pagos", apontou o diretor do hospital da Zona Sul, Weber de Arruda Leite.
De acordo com o diretor, apesar dos atrasos salariais, os médicos têm cumprido as escalas de forma normal e não houve prejuízo no atendimento. "As nossas escalas de plantão estão completas. Aqui temos cinco médicos por plantão, entre clínicos gerais, cirurgiões e pediatras", garantiu.
Weber de Arruda Leite ressaltou ainda que não há atraso nos salários dos médicos e funcionários concursados e até mesmo o 13º salário já foi pago pelo Estado.


