Médicos ameaçam descredenciamento
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sexta-feira, 01 de julho de 2011
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
Insatisfeitos com os valores pagos pelos planos de saúde, médicos de diferentes especialidades podem se descredenciar em massa das operadoras no Paraná. O Ministério Público do Estado convocou uma reunião para segunda-feira, em Curitiba, para discutir a situação. Diversas entidades foram convidades para o encontro, entre elas o Procon Estadual, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a Associação Médica do Paraná e o Sindicato dos Médicos.
A categoria reivindica principalmente o reajuste dos honorários pagos por consulta. ''O preço repassado por consulta pela quase totalidade das operadoras varia entre R$ 30 e 42. Considerando que o profissional deve cobrir as despesas com o consultório, se ele recebe R$ 42, o que resta é aproximadamente R$ 5,60. É 'ridículo''', afirmou o presidente da Sociedade Paranaense de Neurocirurgia, Pedro Garcia Lopes. Ele lamentou o fato de as operadores não apresentarem nenhuma proposta. ''Sentimos que as empresas não estão abertas para negociação''.
Os médicos que atuam na área de neurocirurgia, segundo Lopes, foram orientados a enviar uma carta aos planos solicitando o descredenciamento individual em um prazo de 30 dias. ''A intenção é oferecer um prazo para que haja tempo para negociar'', explicou. De acordo com a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), o valor mínimo cobrado pela consulta deve ser R$ 60. A Associação Médica do Paraná reivindica para que o valor suba para R$ 80.
Para o diretor do Departamento de Pediatria da Associação Médica de Londrina, Milton Macedo, a categoria necessita de condições mínimas para oferecer um atendimento de qualidade. Ele destacou que nos últimos dois anos cerca de 80% dos pediatras já se descredenciaram dos planos em Londrina. ''A nossa luta já dura dois anos. Conseguimos algumas melhorias, mas os valores ainda continuam defasados e não cobrem nem os custos de funcionamento do consultório'', destacou.
Segundo Macedo, no caso de um descredenciamento em massa, o paciente tem a opção de pedir o reembolso das despesas médicas. Os órgãos de defesa do consumidor orientam que é dever das operadoras informar corretamente os nomes dos profissionais que se descredenciam, bem como os que são contratados em substituição. O consumidor que não estiver devidamente informado tem direito ao reembolso integral das despesas médicas relativas aos profissionais descredenciados, inclusive das consultas.
A reportagem entrou em contato com a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), mas não obteve retorno.


