Médicos ameaçam deixar de atender segurados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de abril de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Médicos do Paraná ameaçam suspender o atendimento a planos e seguros saúde, caso as operadoras não atendam a reinvindicação da classe de implementar a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). A tabela asseguraria a reposição das perdas acumuladas nos últimos 12 anos que, segundo as entidades que representam os profissionais de medicina, chega a 250%. O Conselho Federal de Medicina legitimou a CBHPM como padrão mínimo e ético de remuneração dos procedimentos médicos para o sistema de saúde suplementar.
Uma assembléia na noite de hoje na Associação Médica do Paraná irá discutir os rumos da mobilização pela valorização profissional. No início de março, os médicos fizeram um ato no centro de Curitiba, deflagrando a campanha pela implantação da CBHPM.
O coordenador da Comissão de Honorários do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná, Hélcio Bertolozzi Soares, garante que uma decisão mais drástica, como a suspensão no atendimento, será um último recurso. ''Nosso movimento se propõe a ser o menos agressivo, o menos radical possível'', afirmou.
Segundo Soares, as negociações estão mais avançadas com a Assepas-Unidas, que já teria sinalizado com a possibilidade de atender, parcialmente, as reivindicações dos médicos. A Assepas-Unidas reúne 23 empresas de autogestão e atende instituições como Banco do Brasil, Petrobras, Correios, Companhia Paranaense de Energia (Copel) e Prefeitura de Curitiba. O valor não atende integralmente as expectativas dos médicos. Eles querem que o valor da consulta passe dos R$ 25 atuais para R$ 42. O coordenador do CRM do Paraná disse que há flexibilização por parte da classe nas negociações com as operadoras.
O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Joelson Zeno Samsonowski, adiantou, ontem, que não há a menor possibilidade das operadoras de planos de saúde implantarem a nova tabela. A classificação, segundo ele, representaria um impacto de 51,64% nos custos das empresas, que já acumulariam uma defasagem de, pelo menos, 90% por conta do congelamento dos reajustes nos planos nos últimos cinco anos. ''É inviável qualquer tipo de reajuste. Não temos caixa a dispor'', destacou, lembrando que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sinaliza um reajuste de 6% em maio, enquanto o índice proposto pela Abramge é de 18%.
Samsonowski argumentou, ainda, que nos últimos três anos os sistemas alternativos de saúde suplementar perderam 6 milhões de usuários para o Sistema Único de Saúde (SUS) por causa da perda do poder aquisitivo da população. O número de empresas que não conseguiram se adaptar às regulação dos preços pela ANS, segundo ele, também foi grande, tanto que de 5 mil operadoras, apenas 1,3 mil sobreviveram.
A ANS avisou, em comunicado oficial, que criou um grupo de trabalho para analisar a CBHPM. Os resultados dessa avaliação deverão ser apresentados em dois meses.


