Falar de células-tronco hoje é falar principalmente de esperança - o que as pesquisas apontam é um avanço significativo no tratamento de dezenas de doenças. Mas é preciso estar atento - a nova tecnologia ainda está em fase de pesquisas e o procedimento não pode ser oferecido por médicos como alternativa para tratar pacientes.
O alerta dos médicos Francisco Eugênio Alves de Souza, diretor superintendente do Hospital Universitário (HU) de Londrina, e Douglas dos Santos Grion, cardiologista e um dos responsáveis pelas pesquisas com células-tronco no HU, vem depois que um pesquisador canadense foi autuado em Londrina, no início do mês, e notificado a deixar o Brasil, por exercer pesquisa não autorizada por nenhum órgão governamental.
O alerta também vale porque já aparecem no país casos de pacientes enganados por médicos que vendem supostas terapias com células-tronco. No início do ano, um médico de Uberlândia, no interior de Minas Gerais, foi acusado de oferecer ''tratamento'' com células-tronco ''em pó'' a pacientes com lesões cerebrais. Há casos também de pacientes que buscam no exterior, normalmente em países do leste europeu, (falsas) promessas de cura com células-tronco, ofertadas pela internet.
O problema é que na ânsia de buscar a cura de sua doença, o paciente perde, além de (muito) dinheiro, a esperança. ''O paciente está em uma situação de grande fragilidade emocional, faz qualquer coisa para achar a cura para sua doença, principalmente se não há outra alternativa, e há quem se aproveite disso'', afirma o pesquisador.
Grion ressalta que o tratamento com células-tronco ''pode vir a ser uma alternativa interessante'', mas ainda é objeto de pesquisa, e como tal deve obedecer a uma série de normas. ''Nas pesquisas com humanos, se for comprovado algum malefício, por exemplo, é preciso interromper a pesquisa imediatamente'', exemplifica.
Quem se submete a uma pesquisa também precisa ter informação antes sobre os riscos, benefícios e malefícios do procedimento. Segundo o cardiologista, o que se sabe hoje é que dá para aplicar células-tronco ''sem grandes riscos''. Mesmo assim eles existem - no caso de uma cardiopatia, por exemplo, a terapia celular pode levar a uma arritmia cardíaca importante, que se não tratada adequadamente pode levar à morte.
Já no caso de quem paga por um ''tratamento'', os riscos começam com uma cirurgia desnecessária, e podem chegar até o agravamento da doença. ''Pode até ser que não ocorra nada, mas o paciente foi lesado no 'bolso' e na esperança'', afirma Souza.
O mais importante, ressaltam os médicos, é que nenhum procedimento relativo a pesquisa pode ser cobrado, nem a internação ou o medicamento que será usado depois da aplicação das células-tronco. ''Se estão cobrando, tem alguma coisa errada'', alerta Souza.
Outra boa dica para saber se a pesquisa ou o pesquisador são confiáveis é verificar se estão registrados na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Quem foi lesado pode fazer denúncias no Conselho Regional de Medicina (CRM) e na promotoria pública ligada à área da saúde.

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