Médicos acusam Pinochet e juízes não aceitam exames prévios ao processo
Santiago, 18 (AE-AP) - O dia de hoje, 18, começou mal para o general Augusto Pinochet na área de saúde: médicos o acusaram como responsável pela morte de 19 colegas e a Corte de Apelações rejeitou por unanimidade a petição de seus advogados para que ele seja submetido a novos exames antes do início do processo de suspensão de sua imunidade como senador vitalício.
A defesa de Pinochet quer demonstrar, por intermédio de novos exames, que ele tem problemas mentais que o impedem de ser processado. A mesma justificativa de deterioração mental impediu o ex-ditador de ser extraditado do Reino Unido para a Espanha.
Mas a Corte rejeitou pela segunda vez o pedido de seus advogados. O processo que pede a cassação de sua imunidade deverá iniciar-se na próxima quarta-feira, dia 26.
Pouco depois do pronunciamento da Corte, os dirigentes nacionais dos médicos apresentaram perante o mesmo tribunal uma nova queixa-crime contra Pinochet, pela execução ou desaparecimento de 19 de seus colegas entre 1973 e 1976.
Nesse período, 11 médicos foram executados e oito continuam desaparecidos. A apresentação da denúncia foi aprovada por unanimidade pelo sindicato da categoria.
Um dos casos denunciados perante a Corte foi o do doutor Enrique París, assessor do falecido presidente Salvador Allende, detido em La Moneda logo depois de o palácio presidencial ser bombardeado pelos militares em 11 de setembro de 1973.
París ficou desaparecido por 17 anos até que seus restos apareceram fraturados e queimados em uma vala comum. Seu corpo só foi identificado em 1994.





