Curitiba- Entidades representativas de médicos de todo País decidiram ingressar com ação na Justiça contra operadoras de planos e seguradoras de saúde para cobrar a defasagem acumulada nos últimos cinco anos nas consultas e demais procedimentos médicos. A decisão de recorrer à Justiça foi tomada na última sexta-feira, durante encontro realizado em Curitiba com a presença de representantes do Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira e Federação dos Médicos, que integram as Comissões Nacional e Estaduais de Honorários Médicas.
De acordo com Luiz Sallim Emed, do Conselho Regional de Medicina, as ações vão pleitear que a remuneração dos médicos e de hospitais tenham o mesmo índice de reajuste que as empresas aplicaram na correção das mensalidades cobradas de seus clientes. ''As empresas sempre fizeram a correção dos valores dos planos de saúde em índices até superiores à inflação, mas eles não repassaram esses aumentos nem aos hospitais nem aos médicos'', diz. Segundo ele, há oito anos o setor não tem reajuste em suas remunerações e nos últimos 10 anos o percentual de correção acumulado pelos planos foi de 275%.
A princípio, os médicos vão ingressar com ações contra as seguradoras de saúde que, segundo os médicos, costumam impor restrições a seus clientes apesar da legislação determinar que elas são obrigadas a pagar consultas do médico à escolha do cliente. Em seguida, serão movidas ações contra as operadoras de planos de saúde com maior defasagem nas remunerações e, em seguida contra as mais resistentes às negociações para implementar a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM).
De acordo com Sallim Emed, no Paraná as negociações com as empresas vêm se desenrolando há cerca de um ano, sem avanços. Sobre a CBHPM, ele explica que a intenção é atualizar os procedimentos pagos pelos planos com os avanços tecno-científicos da área, que hoje não são contemplados pelas operadoras e seguradoras.
A Folha procurou ontem a Associação Brasileira de Medicina de Grupo do Estado do Paraná e Santa Catarina, mas até o fechamento da edição, não houve resposta.

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