Médico traz experiência cubana no combate à dengue
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segunda-feira, 18 de março de 2002
Lucia Martins<br>Agência Estado 
Rio - A epidemia de dengue de 2002 no Rio poderia ter sido minimizada se a sociedade tivesse se organizado mais para controlar a proliferação do Aedes aegypti e se as autoridades médicas tivessem investido mais na identificação dos casos no início do surto. Esse é o diagnóstico do médico e secretário de Ciência e Tecnologia de Saúde de Cuba, Eric Martinez Torres, que está na cidade desde domingo para oferecer à Secretaria Municipal de Saúde a experiência daquele país no combate à doença e ao mosquito transmissor do vírus.
Cuba teve a sua maior epidemia em 1981, quando o tipo 2 do vírus começou a circular naquele país. Naquele ano, a dengue contaminou 350 mil cubanos e causou 158 mortes. Mas Cuba aprendeu a lição e conseguiu reduzir significativamente o número de casos nas epidemias seguintes.
Este ano, o vírus 3 também atingiu os cubanos, e fez 10 mil casos até agora. O Estado do Rio (que tem menos da metade da área de Cuba) já notificou 89 mil doentes desde o início do ano. Ontem, o município confirmou mais duas mortes por dengue, elevando para 28 o total da cidade e para 39, o do Estado. Dessas novas confirmações, uma morte já ocorreu em março - A. S., de 57 anos, morreu no último dia 14 em uma clínica particular da zona norte do Rio. A outra vítima fatal foi M.S.M., de 22 anos, morta no dia 15 de fevereiro.
Estamos todos de acordo que duas coisas são importantes: sustentabilidade das ações de prevenção e eficiência na atenção primária do doente. É por isso que estamos aqui para conversar e ver como podemos melhorar tudo isso, explicou o médico cubano. Em Cuba, quando enfrentamos a epidemia, contamos com um exército de pessoas que já trabalham na atenção primária da população, que são os médicos de família. E isso ajuda muito. Aqui, o sistema não é centralizado e exige que os diferentes níveis de autoridades de saúde saibam trabalham juntos e com organização, analisou.
Torres é consultor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e, nos últimos 20 anos, tem percorrido vários países da América Latina divulgando a política de saúde implantada por Cuba no combate à dengue.
Tenho aprendido muito nesse trabalho e a lição principal é que acabar com o mosquito tem haver com organização, inteligência e paixão de quem está liderando as ações. O secretário disse ainda que a expansão da dengue no Rio não é surpresa porque o clima do Rio é magnífico para o mosquito do dengue.
Como em Havana, aqui nunca há frio. Então as condições são perfeitas para que o Aedes aegypti consiga sobreviver por muito tempo.


