Médico tem que deixar de ser garoto-propaganda
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de outubro de 2008
Lígia Formenti<BR>Agência Estado 
Brasília- A prática comum entre médicos de aceitar viagens, inscrições em congressos e brindes da indústria farmacêutica deverá ser proibida pelo novo Código de Ética Médica, previsto para entrar em vigor no próximo ano. Um grupo importante do Conselho Federal de Medicina (CFM), que agora começa a discutir o novo texto, defende que esse comportamento passe a ser considerado formalmente como infração ética. ''Médico tem de deixar de ser garoto-propaganda'', afirmou o vice-presidente do CFM, Roberto Luiz d'Ávila. ''Sinto-me envergonhado com a atitude dos colegas'', completou.
A iniciativa surge em meio à polêmica causada pelas acusações de envolvimento de médicos em um esquema que forjava ações judiciais para obrigar o Estado de São Paulo a comprar remédios de alto custo para o tratamento de psoríase -doença que provoca feridas na pele. Os médicos do esquema prescreviam medicamentos caros fornecidos por determinados laboratórios e, com a prescrição na mão, o paciente entrava na Justiça orientado por representantes dos laboratórios.
Antes mesmo de o texto entrar em vigor, uma recomendação, em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e representantes do setor farmacêutico deverá ser preparada. ''Será um protocolo com sugestões. Não terá caráter punitivo'', afirmou o vice-presidente do CFM.
D'Ávila afirma que o abuso de colegas em aceitar benesses já é constatado há muito tempo. ''Muitas vezes esse grupo empresta o nome da instituição para quem trabalha para dar legitimidade a um produto'', observou. Na proposta que deverá ser discutida pelo CFM, haverá apenas uma exceção para o recebimento de favores: médicos poderão aceitar ter os custos de congressos e viagens pagas desde que participem do evento na condição de representantes da instituição que os financiou. E essa condição terá de se tornar pública.


