Raul Marino Jr. acumulou uma preciosa experiência ao conviver com pacientes neurológicos, neurocirúrgicos e psiquiátricos - diretor do Instituto Neurológico de São Paulo e professor titular de neurocirurgia da Faculdade de Medicina da USP, ele e um grupo de colegas conseguiram detectar importantes avanços na compreensão do cérebro humano. E, ao iniciar o estudo da teologia, Marino uniu dois pontos polêmicos: religião e ciência.
Um primeiro resultado de seu estudo está em ''A Religião do Cérebro'' (Editora Gente), lançado recentemente. Trata-se de um curioso relato sobre as novas descobertas da neurociência a respeito da fé humana. No livro, Marino revela como as alterações provocadas no sistema límbico - região do cérebro responsável pelas emoções - são capazes de explicar como se processa a fé.
''Durante muitos anos, a ciência tem negado a existência da gnose do espírito ou de qualquer tipo de inteligência que transcenda o domínio material, mostrando-nos os fatos unicamente pelos sentidos'', escreve ele, no prefácio. ''Isso não quer dizer que a espiritualidade começa onde a ciência termina, pois ambas concorrem para uma busca do real, em que a ciência e religião se completarão em um abraço grande e íntimo, em uma nova visão do mundo.''
O médico lembra que inúmeras situações ocorridas com as pessoas podem ser associadas à atividade de uma ou mais regiões específicas do cérebro humano, o que inclui, necessariamente, as experiências consideradas religiosas ou espirituais. Assim, é possível acreditar que, em relação à existência de Deus, um dos lugares onde Ele poderia revelar-se seria no conjunto de vias neurais que compõe o cérebro. (Ubiratan Brasil/ Agência Estado)

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