Médico recebe título de Cidadão Honorário
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sábado, 27 de novembro de 2004
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Ao contrário da maioria, algumas pessoas fazem questão de dispensar o comodismo em suas vidas, e escolhem um tortuoso porém compensador caminho para trilhar. É o caso do médico Júpiter Villoz Silveira, que tornou-se conhecido em Londrina não só por seu trabalho na medicina, mas também pelo empenho em dar melhores condições de vida a crianças carentes. Fundador da Casa do Caminho, entre outras instituições, ele foi homenageado na noite de ontem na Câmara de Vereadores com o título de Cidadão Honorário de Londrina.
A iniciativa partiu do vereador Roberto Kanashiro (PSDB), que definiu o médico como ''um profissional que tem feito de sua vida um exemplo de dedicação ao próximo.'' Para a sessão solene de ontem, Silveira tinha pronta uma das principais frases que diria em seu discurso: ''Este prêmio é para toda a equipe da Casa do Caminho: à minha esposa (Tânia Regina Motta Rosa da Silveira, que sempre o acompanhou no trabalho junto às crianças e adolescentes), aos voluntários, à diretoria e aos funcionários''.
Os projetos filantrópicos começaram a ser desenvolvidos pelo médico ainda na época de estudante. ''Quando fazia faculdade, lá em Porto Alegre (RS), ia todos os sábados à tarde com um colega prestar atendimento e distribuir comida em uma favela existente no Morro Santa Tereza. Na época, a comunidade recebia recursos de um programa norte-americano para a América Latina chamado Aliança para o Progresso'', relembra. A disposição para ajudar os menos favorecidos é uma herança de família. Ele conta que o pai já tinha o hábito de realizar ações voluntárias.
Em Londrina, Silveira começou a trabalhar na área social no Albergue Noturno e mais tarde na antiga favela da Vila Marízia. ''Posteriormente começamos a atender crianças de rua em uma chácara na Vila Yara (Zona Leste). Depois de um ano, fomos para um prédio que tornou-se a Casa do Caminho.'' Era 1987, e em apenas 60 dias, o número de crianças e adolescentes passou de 20 para 200.
''Não imaginei que as nossas ações fossem tomar as proporções que tomaram, até porque não imaginávamos que houvesse tantos meninos de rua, e que este problema fosse se tornar uma chaga nacional'', disse o médico ontem à tarde, poucas horas antes de receber a homenagem. Depois de receber o título, ele iria comemorar com as crianças que frequentam a Casa e com muitos dos que passaram por lá. ''A festa vai ser deles'', garantiu.


