Médico preso por desviar fígados humanos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Luisa Belchior<br>Folhapress 
Rio- Um médico suspeito de chefiar o grupo que vendia lugares na fila de transplantes de fígado no Rio foi preso ontem na operação Fura-Fila da PF (Polícia Federal). Ex-chefe da equipe de transplantes hepáticos do hospital da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e ex-coordenador do RioTransplantes, do governo estadual, Joaquim Ribeiro Filho foi preso em casa, em Laranjeiras. Além da prisão do médico, nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos na zona sul e no centro da cidade. Outros cinco médicos foram denunciados (acusados formalmente) pelo Ministério Público Federal por suposta participação no esquema, que permitia que pacientes furassem a fila do sistema nacional de transplantes mediante pagamento ao grupo de até R$ 250 mil.
Joaquim Ribeiro Filho é apontado como o organizador e o chefe do esquema. Segundo a PF, ele desviava fígados humanos que iriam a pacientes no topo da lista de doações e destinava os órgãos a pessoas que pagavam a ele taxas que variavam entre R$ 200 mil e R$ 250 mil.
Para a fraude, o médico e sua equipe -nove pessoas no total- inseriam na fila do SUS (Sistema Único de Saúde) pacientes que eles sabiam que não conseguiriam receber os órgãos por incompatibilidade física, de acordo com as investigações. Dessa forma, conseguiam burlar o sistema do SUS e transplantar o órgão nos pacientes que haviam pago ao grupo.
Com a incompatibilidade do primeiro paciente escolhido -de acordo com sua posição na fila e a urgência-, o médico ficava automaticamente autorizado pelo SUS a escolher quem seria o transplantado na fila, segundo o superintendente da Polícia Federal no Rio, Valdinho Caetano.
''Para dar um ar de legalidade, eles inseriam na lista essas pessoas que sabiam que não eram compatíveis com os órgãos'', afirmou Caetano.
As investigações, afirma o superintendente, conseguiram comprovar que ao menos dois transplantes foram de fato realizados por meio do esquema durante os quatro anos que o grupo agiu -entre 2003 e 2007. Documentos apreendidos na manhã de hoje devem comprovar a realização de outros transplantes dentro do esquema, disse Caetano.
Uma terceira operação chegou a ser realizada, mas os médicos não conseguiram transplantar o órgão por incompatibilidade do paciente.


