Médico opera perna errada de paciente em São José dos Campos
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sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
Simone Menocchi<br> Especial para Agência Estado 
São José dos Campos - Com as duas pernas enfaixadas, o porteiro Waldomiro dos Santos, de 48 anos, fica sentado na sala de sua casa à espera de uma cadeira de rodas emprestada. Ele foi vítima de um erro médico, há duas semanas, no Hospital Municipal de São José dos Campos, a 90 quilômetros de São Paulo. Teria que passar por uma operação para corrigir um desligamento de tendão na perna direita, mas acabou tendo a esquerda cortada.
''Eu estava deitado de costas, com a tala no tornozelo e o médico cortou a tala. Depois me deitou de bruços e cortou a perna esquerda'', conta o porteiro, que nas horas vagas canta músicas sertanejas em festas na cidade para ganhar um dinheiro extra. ''Quando acabou, o médico me disse que eu não tinha nada no tornozelo, que não era tendão estourado e aí, quando ele me virou, eu disse: 'mas o senhor operou a perna errada'!''.
De acordo com Waldomiro, o médico colocou a mão na cabeça e exclamou ''Meu Deus, cortei a perna errada do paciente, vamos fazer a outra''. A cirurgia correta foi realizada na mesma hora e o resultado foram 17 pontos em uma e 14 em outra. ''E eu estou sem saber quando posso andar, quando volto ao trabalho''.
Segundo a mulher de Waldomiro, a produtora de vídeo Maria de Lurdes Goulart, o assunto foi levado para a direção do hospital. ''Quando eu contei para a chefe da enfermaria ela ficou em silêncio, meio assustada. Depois outro médico veio falar com a gente e até brincou com o assunto''.
O porteiro teve alta, mas agora está em casa, aguardando a cadeira de rodas que pediu ao departamento municipal de Assistência Social. ''Ele ganhava cerca de 500 reais como porteiro e agora vai entrar para o INSS. Enquanto estiver assim não poderá se apresentar em festas. Estamos numa situação difícil'', desabafa Lurdes. Waldomiro deve ficar dois meses afastado do trabalho.
A família deve recorrer à Justiça para garantir o pagamento do tratamento médico e também pensa em mover uma ação indenizatória contra a prefeitura por danos materiais e morais. O caso foi registrado em um boletim de ocorrência na polícia civil. ''Tiramos foto dele com a tala na perna direita, antes da cirurgia. Queria mostrar para minhas três filhas que o pai estava bem, já que no hospital não pode entrar criança. Agora a foto está servindo como prova''.
O Hospital Municipal não revelou o nome do médico e começou a investigar o caso, que também está sendo analisado pelo Conselho Regional de Medicina.


