Médico mostra estudo sobre olho biônico
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quinta-feira, 29 de março de 2001
Janaína Simões Agência EstadoDe São Paulo 
O Wilmer Institute do Johns Hopkins Hospital está desenvolvendo um olho biônico, em teste nos Estados Unidos, que poderá ajudar principalmente as pessoas que sofrem com doenças degenerativas de retina, a mais interna das três camadas que compõem o olho humano e responsável pela visão das cores. A pesquisa foi apresentada ontem na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp, antiga Escola Paulista de Medicina) pelo professor de oftalmologia do instituto, Mark Humayun, para médicos e integrantes do grupo Retina São Paulo, uma associação que reúne pessoas com doenças degenerativas nesse órgão.
O olho biônico consiste na implantação de um chip sobre a retina, feita por procedimento cirúrgico. Os óculos têm uma microcâmera de vídeo, do tamanho de um parafuso de óculos, que capta as imagens e as transfere para o chip. O equipamento, por sua vez, transmite as imagens para o nervo ótico, que liga o olho ao cérebro. Este órgão leva os sinais para as fibras nervosas da retina e estas levam as imagens para o cérebro. O chip tem quatro milímetros, é feito de sílica e recoberto por uma camada de silicone. A bateria que alimenta a microcâmera também é pequena, podendo ser levada no bolso.
A pesquisa vem sendo desenvolvida há 13 anos e conta com apoio de empresas como a IBM, que ajudou no desenvolvimento da parte de microinformática. Hoje, o equipamento custa US$ 30 mil, valor proibitivo para um paciente, já que ainda pode ser considerado um protótipo. Os testes já feitos em animais - macacos e coelhos - apontaram grandes possibilidades para a utilização clínica do olho biônico, segundo Humayun.
Foram implantados chips em 17 pessoas cegas nos Estados Unidos e os resultados foram considerados animadores. Eles conseguiram ver luzes, cores e formas, destacou o professor. Nessa fase da pesquisa, os pacientes receberam colírio anestésico para os médicos implantarem o chip. Depois, pediam para o paciente descrever o que estava vendo. Ao fim do teste, eles retiraram o equipamento, que ficou no máximo por 45 minutos implantado nos pacientes que aceitaram se submeter ao teste.
Humayun aguarda a aprovação do Food and Drug Administration (FDA), órgão que regula produtos alimentícios e remédios nos Estados Unidos, para ampliar a pesquisa com humanos e poder manter o chip implantado nos pacientes por mais tempo. Em um ano, se conseguir a aprovação, o pesquisador espera estar realizando os testes em uma amostra maior de pessoas.


