A teoria defendida por Roberto Giraldo e o grupo ao qual pertence, o Aids Dissidentes, cheira a ''pão amanhecido''. Esta é a opinião do infectologista londrinense e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) José Luís Baldy. O médico explica que o assunto é antigo, e começou a ser comentado há cerca 20 anos. ''De lá para cá já houve um número enorme de respostas a esta teoria. Todas as evidências levam à existência do vírus da imunodeficiência humana.''
Segundo Baldy, a presença do vírus pode ser demonstrada tanto diretamente como indiretamente, através da presença de anticorpos específicos. ''Não se descreveu até hoje nenhum caso de Aids sem a presença do vírus ou de anticorpos específicos, o que é uma demonstração taxativa da relação direta da doença com a presença do HIV'', reforça.
O que Giraldo cita como agentes estressantes, Baldy considera fatores coadjuvantes. ''Sozinhos, eles nunca causaram Aids. O que os fatores de imunodepressão podem fazer é agravar ou proporcionar o aparecimento precoce da doença.'' O infectologista londrinense afirma que no mundo todo, hoje, ''há a certeza'' que o agente causador da Aids é o vírus HIV.
A Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids defende que é a presença do vírus HIV no organismo que favorece a evolução da doença. ''Não conheço nenhuma pesquisa que comprove a imunodeficiência sem a presença do vírus'', disse o coordenador-geral da entidade, Veriano Terto Júnior. Ele lembra que, desde o início da epidemia sempre houve essa teoria ''negando a importância do vírus'' e relacionando a Aids a fatores sociais, hábitos de vida e disposição genética. ''Essa teoria caminha para a culpabilização da própria pessoa, como se ela fosse responsável pelo seu estado. É uma tentativa de estigmatizar ainda mais os soropositivos'', declarou. (Colaborou Andréa Lombardo)

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