Médico irlandês faz pílula do sexo feminina
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quarta-feira, 03 de março de 1999
por Braden Reddall, da REUTERS (assinatura obrigatória) 
Cork (AE-REUTERS) - Velhos amantes procurando uma segunda chance para suas vidas sexuais podem encontrar a solução numa loja na cidade de Cork, no sul da Irlanda. Já lar de uma fábrica do Viagra e de muitas pequenas vilas românticas, Cork pode ainda oferecer outra cura para as disfunções sexuais que vêm com a idade - com a exceção de que desta vez, a cura é para as mulheres.
Ronan Gleeson, um médico de Cork descrito pelo Irish Times como um pioneiro da medicina herbal, fabricou uma pílula destinada a mulheres cujo desejo sexual diminuiu com a menopausa. O tratamento, chamado Femagro, vem na forma de brilhantes pílulas rosas e estão atualmente disponíveis sob consulta com Gleeson, que está pensando em criar um site na Internet para receber pedidos pelo correio a um preço de cinco libras irlandesas (U$ 7) cada pílula. "Eu chamei o medicamento de Femagro porque queria que fosse orientando para as mulheres", disse ele. "O Femagro pode ser traduzido como algo que torna a sexualidade feminina agressiva...você sabe, um nome tem que ter um significado".
A pílula combina uma erva conhecida como "raiz mulher", que acredita-se tratar os sintomas da menopausa, com um tradicional mas controverso afrodisíaco africano chamado yohimbe. Gleeson disse que as recentes respostas de seus pacientes têm sido "fantásticas". "Há um casamento ideal aqui...um estimulante sexual com um agente que age sobre a menopausa das mulheres", disse Gleeson. "Na verdade, no momento estou trabalhando num slogan: Uma pílula nunca faz um verão, mas esta fará sua noite de sábado".
Uma fábrica em Cork dirigida pela firma farmacêutica norte-americana Pfizer faz o ingrediente ativo para o medicamento- maravilha dos homens, o Viagra, aquelas pequenas pílulas azuis que mudaram o mundo dos homens de meia-idade no ano passado. "O Viagra foi lançado recentemente como um agente para os problemas de impotência masculinos, e tem a cor azul, então eu pensei que usar a cor rosa seria bom em relação às garotas", disse Gleeson. Ele também produz uma pílula Femagro maior, uma cápsula vermelha que traz uma dosagem mais pesada. "As rosas podem ser tomadas nas quartas ou quintas-feiras", ele disse. "E a maior pode ser guardada para as noites de sexta - e durar todo o final de semana", disse Gleeson.
Como "cozinheiro chefe e limpador de garrafas", Gleeson mistura as ervas e enche as cápsulas em seu escritório, cercado por jarros de ervas coloridas e aromáticas usadas para tratar vários males. Gleeson diz que tem um diploma médico "ordinário" e trabalhou como prático-geral por cerca de dez anos antes de fazer o salto para a medicina natural. "Cerca de sete anos atrás, eu disse não vou continuar a dar para as pessoas remédio para a tosse e antibióticos", ele refletiu. "Pensei tenho que fazer algo".
Os ingredientes do Femagro não são inovações, mas seus benefícios e segurança têm sido assunto para debate. A casca da árvore yohimbe, há muito tempo reverenciada como um poderoso afrodisíaco por tribos africanas, tem sido usada para tratar dificuldades sexuais por anos. Mas não tem licença para ser vendida na Inglaterra e está disponível apenas para determinados pacientes em casos especiais. "É toda uma história de qualidades afrodisíacas", disse Gleeson. "Mas um dos problemas é que trata-se de uma entre um grupo de ervas restritas, então pode-se encontrar problemas para obtê-la". Conhecida como "a casca do amor", a yohimbe contém 6% de yohimbine, um alcalóide que aumenta o fluxo sanguíneo para os genitais para ajudar a manter ereções e aumentar a excitação em ambos os sexos.
Mas algumas publicações médicas advertem que farmacêuticos não prescrevem a yohimbe devido a sua natureza "tóxica". Descobriu- se que ela pode ser potencialmente nociva quando misturada com drogas comuns encontradas em remédios para tosse e resfriado. A raiz mulher, uma erva americana usada para tratar a menopausa, contém um componente que age sobre os receptores de estrógeno para ajudar a eliminar as "ondas de calor" provocadas pela deficiência de estrógeno que ocorre na menopausa. "É a mais feminina das ervas", disse Gleeson. "Os índios americanos usavam a raiz mulher para tratar uma variedade de males femininos".
Gleeson disse que entre 50 e 60 de suas pacientes tomaram o Femagro e quase todas reportaram resultados "fantásticos". Ele afirmou que o remédio é quase sempre, mas não exclusivamente, para mulheres mais velhas. "Uma senhorita me ligou e perguntou de quanto em quanto tempo eu devo tomá-lo? e eu disse Bem, quanto você gostaria de tomar?". Mulheres que tomaram o remédio de forma independente disseram que os efeitos na libido são difíceis de descrever, mas que a droga as fez sentirem-se mais vivas. Uma mulher perguntou: "Onde posso conseguir mais?". Gleeson disse que os médicos não se sentem encorajados a usar tratamentos erbais e que as poucas farmácias que estocam remédios à base de ervas geralmente os mantêm escondidos atrás do balcão. "Eles ainda sentem-se desconfiados. Na verdade, não se pode vender ervas como um químico ou numa loja de comida natural...Elas atualmente são vendidas como suplementos alimentares", ele disse. "Mas há medicamentos erbais que nunca terão um equivalente na medicina moderna". Ele disse que firmas farmacêuticas evitam os medicamentos erbais porque não é possível patentear as ervas, e levar um medicamento assim para o mercado custa centenas de milhões de dólares.
Mas Cormac Macnamara, porta-voz e ex-presidente da Organização Médica Irlandesa, disse que os elementos que constituem as ervas podem ser patenteados e que as firmas farmacêuticas não deixariam passar a oportunidade se os remédios feitos à base de ervas realmente funcionassem. "Eles poderiam ser tomados se houvesse alguma prova de benefício", disse Macnamara. "Mas eu não teria nenhuma objeção a qualquer um tentar qualquer coisa, mesmo se seu efeito for primariamente de placebo". Fora drogas propriamente testadas como o Viagra, ele disse que o resto tende a ter um efeito de placebo, no qual "as pessoas acham que eles estão fazendo algo". Apesar de Gleeson aceitar que um efeito de placebo é parte de qualquer tratamento médico, ele disse não acreditar que o poder do Femagro se resume apenas ao ato de engolir uma pílula. "O placebo não se aplica ao caso aqui", ele disse. "São os agentes ativos que são importantes".


