Médico é vítima da primeira geração
Londrina - Para melhorar os sintomas do hipertireodismo, que provocavam ansiedade durante a gravidez, a mãe do médico Pedro Camilo Maistro tomou a Talidomida no ano de 1961. O medicamento resultou em encurtamento dos braços, ausência dos dedos polegares, bem como deficiência na audição e visão de Maistro, uma vítima da primeira geração da síndrome. Nenhum órgão interno ou o sistema cognitivo foi afetado.
Apesar da notícia estar correndo o mundo na época, somente cerca de dois anos depois foi ''comprovado'' que seu caso se tratava do efeito do remédio e não uma mutação genética ou ''castigo divino''. ''A grande preocupação dos meus pais era com relação ao meu futuro, porque até então não se sabia o que era. Apesar de que com a confirmação da síndrome nada mudou em minha vida. Também nunca me revoltei, seja com minha mãe ou com o médico, ainda que tudo pudesse ter sido evitado'', diz.
Há cerca de dez anos ele foi atrás de informações e passou a receber pensão do governo. ''O valor é irrisório e chega ser uma piada. Não é suficiente para dar suporte a quem tem deficiência. Se consegui estudar e sou médico, conquistei isso pelo meu esforço e pelas lutas que travei e ainda travo até hoje. Mas é um direito meu, não vou deixar passar.'' No ano passado, Maistro foi um dos beneficiários da indenização do governo por danos morais.(M.T.)





