O médico Gilmar Fernando Boita foi preso em flagrante ontem, em Porto Alegre, sob a acusação de falsificar um medicamento para emagrecer. Foi detido na clínica Senecom, de sua propriedade, situada na avenida São Pedro, zona Norte da cidade. No local foram encontrados 47 frascos falsificados da droga Xenical, além de rótulos forjados. Produzido pelo laboratório Roche, o Xenical ainda não foi liberado pelo Ministério da Saúde para venda no Brasil. ‘‘As embalagens são falsas e o medicamento não possui o princípio ativo’’, disse a delegada Zélia Lima Silva, da Delegacia do Consumidor (Decon), que comandou o flagrante.
A polícia chegou ao médico após denúncia de advogados da Roche à Secretaria de Justiça e Segurança/RS. Boita declarou aos policiais que já havia receitado o remédio a aproximadamente 100 pacientes nos últimos dois meses. Alegou que adquiria os frascos de um intermediário que buscava as encomendas no Uruguai. Mas, segundo a delegada, não lembrou o nome do vendedor. ‘‘Ele admitiu que comprava ou mandava fazer rótulos’’, acrescentou Zélia. Parte do lote foi encontrado na clínica e o restante, de acordo com a indicação do acusado, em seu automóvel.
Boita, de 39 anos, seria levado para o Presídio Central, em Porto Alegre. A delegada observou que o médico será indiciado no artigo 1073, do Código Penal, que prevê penas a partir de dez anos de prisão.
São Paulo O combate à falsificação de medicamentos em São Paulo ganhará novas formas. Três medidas estão sendo preparadas para ajudar na solução do problema: a criação de um site da Vigilância Sanitária na Internet, o projeto para uma delegacia especializada no assunto e a adoção de um mecanismo para maior integração entre as operações de fiscalização das secretarias estaduais da Saúde, Segurança e Fazenda.
Em 40 dias será possível acessar na Internet um site da Vigilância Sanitária de São Paulo com listas de remédios falsificados. Estará também na homepage a relação dos produtos que cada laboratório está autorizado a vender, assim como o endereços, telefones e CGCs dos fabricantes. O sistema é inspirado em modelo da Organização Mundial de Saúde (OMC), explicou ontem a diretora técnica do Centro de Vigilância Sanitária do Estado, Marisa Lima Carvalho. Segundo ela, a informatização ajudará a suprir a falta de fiscais da Vigilância no Estado, uma vez que, na sua avaliação, os mil profissionais de São Paulo não são suficientes para todo trabalho.

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