Curitiba- Vinte e cinco anos depois de se submeter a uma angioplastia procedimento para desobstruir artérias do coração Assis Santos de Oliveira, hoje com 80 anos, mostra uma disposição de dar inveja. Ele foi o primeiro paciente da América Latina a se submeter à técnica, considerada um importante avanço para a medicina, por ser menos invasiva e de menor risco. A cirurgia foi realizada em agosto de 1979 na Santa Casa de Curitiba.
''Ainda trabalho na lavoura, faço cerca de arame, arrasto pilar'', conta orgulhoso Assis de Oliveira, que está, também, construindo uma nova casa. Catarinense de Lages, hoje, mora sozinho por opção, mas já foi casado, pelo menos, três vezes. Tem 11 filhos e 45 netos.
Assis de Oliveira conta que procurou o médico pela primeira vez, sentindo dores no peito e outros sintomas da doença coronária, em Florianópolis (SC), foi orientado a buscar atendimento especializado em São Paulo ou Curitiba. Preferiu a Capital paranaense, onde poderia contar com o apoio de um dos filhos.
O caso era cirúrgico, mas o cardiologista Costantino Roberto Costantini ofereceu a técnica. Assis de Oliveira aceitou e o procedimento foi bem sucedido. A desobstrução da artéria coronária por um balão, introduzido por um catéter e insuflado no local exato do entupimento, comprimindo a gordura nas paredes das artérias, era um método utilizado exclusivamente pelo médico Andreas Gruntzig. O alemão foi o primeiro a realizar a angioplastia no mundo, juntamente com seus colaboradores Sterzer em Nova Yorque, Mayler em São Francisco e doutor Kaltembach na Alemanha. O risco de insucesso do procedimento, que inicialmente variava de 7 a 9%, hoje está abaixo de 1%.
''Ele é a história viva da evolução da angioplastia'', comemora Costantini. O médico, que é um dos precurssores da técnica no Brasil, continua acompanhando o estado de saúde de Assis de Oliveira. Até porque a última intervenção a que o aposentado se submeteu foi em dezembro do ano passado.
Costantini explicou que depois da primeira angioplastia, Assis de Oliveira precisou passar por outros dois procedimentos em 1995 e 2003. A coronária direita, desobstruída pela primeira vez, não apresentou mais problemas, mas apareceram entupimentos em outras artérias.
Nesse último procedimento, o cardiologista conta que foi implantado um stent espécie de malha metálica em forma de espiral recoberto de medicamentos. A malha permanece no local como uma prótese que diminui para 5% a reincidência de entupimento intra-coronário. É o que hoje há de mais avançado em termos de angioplastia, assegurou o médico. Mas, por ser um material de uso ainda recente no Brasil cerca dois anos é preciso acompanhá-lo por um ano até para documentar o resultado.

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