Médico é acusado em Sorocaba
Agência Estado
O médico Leandro Oliveira Pinho, de Tatuí, interior de São Paulo, está sendo acusado de ter jogado álcool e queimado o estudante de Medicina Rodrigo Favoretto Ca¤as Peccini, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de Sorocaba, durante uma gincana com bebidas alcoólicas, na madrugada de sexta-feira. Outros dois estudantes de Medicina da PUC, Marcelo Tiezzi, o Ígor, do 5º ano, e Rodrigo Borstein Martinelli, o Boi, do 6º, participaram da agressão ao estudante, segundo o delegado Celso de Souza Araújo, do 3º Distrito Policial de Sorocaba. Peccini continua internado na Ala de Queimados do Hospital Regional, com queimaduras de segundo e terceiro graus. O delegado pretende ouvir hoje a versão dos acusados. Os suspeitos da agressão foram procurados pela Agência Estado mas não foram encontrados.
O médico e os dois estudantes foram apontados como autores da brincadeira pelos alunos Adriano Basedili e Eduardo Assis, ouvidos ontem de manhã pelo delegado. As testemunhas moram na República da Máfia e presenciaram quando os três acusados tentaram acordar Peccini, que dormia e, depois de tirar sua camisa, despejaram o álcool. O produto foi apanhado na cozinha da casa. Os estudantes participavam da Mara-Toma, uma espécie de prova que consiste em percorrer um roteiro de repúblicas - apartamentos alugados por estudantes de Medicina - ingerindo a maior quantidade possível de bebidas alcoólicas. Quem cai ou vomita é desclassificado.
Segundo eles, Peccini participava da gincana, mas passou mal quando visitava a segunda república da noite, a da Máfia. Cedemos uma cama para ele dormir, mas logo vieram os outros, disse Adriano. Foi tudo muito rápido e não pudemos fazer nada. Eles contaram ao delegado que foi o médico quem aproximou um isqueiro aceso do corpo do rapaz, ateando fogo. Vendo o estudante em chamas, o médico e Ígor retiraram-se rapidamente do local. Rodrigo Martinelli ainda ajudou a socorrer o colega.
O estudante sofreu queimaduras no braço esquerdo, nas costas, no peito e na barriga. As lesões cobriram 24% do corpo, segundo o médico Hamilton Gonella, que o atende. Ele acredita que serão necessárias cirurgias plásticas para reduzir as sequelas no braço e na barriga, onde as lesões foram mais graves. Ontem, Peccini continuava sedado para aliviar as dores.
Ontem, a delegacia do Conselho Regional de Medicina (CRM) em Sorocaba abriu sindicância para apurar os fatos. Segundo o conselheiro Charles Rodrigues, além da vítima, serão ouvidas as testemunhas e o acusado. Se ficar comprovada a culpa do médico, ele poderá ser punido até com a cassação do registro, sendo proibido de exercer a medicina. O delegado pretende encerrar o inquérito antes do prazo de 30 dias previsto na lei. Caso seja confirmada a versão das testemunhas, os acusados serão processados por lesões corporais dolosas de natureza grave. A pena prevista, segundo o delegado, varia de seis meses a dois anos de prisão.





