Santo Antônio da Platina - Um médico legista do Instituto Médico Legal (IML) de Jacarezinho está preso na Penitenciária Estadual de Londrina II (PEL). O médico de 52 anos é acusado de cobrar de familiares de vítimas de acidentes de trânsito para emitir laudos cadavéricos, documentos necessários para requerer o Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores Terrestres (DPVAT). Esse serviço é obrigação do profissional e deveria ser prestado gratuitamente.
De acordo com o delegado-chefe da 12 Subdivisão Policial (SDP) em Jacarezinho, Sérgio Barroso, o médico cobrava R$ 1.350, o que corresponde a 10% do valor do seguro DPVAT (R$ 13.500), pago a familiares ou vítimas de acidentes de trânsito.
Segundo Barroso, pelo menos cinco casos chegaram ao conhecimento da polícia. ''São pessoas que procuraram a delegacia. Outras podem ter pago e não ter denunciado'', comentou. O delegado contou que o médico atua há cerca de um ano no IML de Jacarezinho, e que esta é sua segunda passagem pelo local. ''Ele havia trabalhado antes e depois saiu. Tem um outro inquérito policial em Santo Antônio da Platina, onde ele é acusado de vender laudos como se fosse médico do IML''. Segundo o delegado, o médico voltou a trabalhar no IML no ano passado.
O médico foi preso na tarde de quinta-feira em sua clínica em Santo Antônio da Platina. De acordo com Barroso, o médico foi encaminhado para a Penitenciária em Londrina ainda na noite de quinta, pois na delegacia local não havia uma cela separada para ele. O profissional, cuja prisão preventiva foi acatada pela Vara Criminal de Jacarezinho, é acusado de corrupção passiva. A pena para o crime varia de 2 a 12 anos por delito.
O diretor-geral do IML no Paraná, Porcídio Vilani, afirmou ontem que o médico havia pedido desoneração do cargo na tarde ontem. O profissional havia sido contratado de forma temporária no ano passado. Conforme Vilani, há no momento 15 processos administrativos relacionados a irregularidades cometidas por servidores do IML no Estado. ''Estamos buscando unir e resgatar credibilidade do instituto''.
A presidente da Associação dos Médicos Legistas do Paraná, Maria Letícia Fagundes, afirmou que a prisão do médico em Jacarezinho é resultado da contratação temporária que o governo fez no ano passado. ''Começamos a ver o resultado dessas contratações. Falamos desde o princípio que médicos que não são legistas de carreira não poderiam ser contratados desta maneira. É um ofício muito sério e específico'', afirma.
Por outro lado, o diretor-geral do IML comentou que o médico cumpria todas as exigências do edital e que não foi contratado como legista, mas apenas para fazer exames de lesão corporal. Conforme Vilani, o próprio IML pediu a investigação do médico, antes dele ser contratado temporariamente.
A reportagem entrou em contato com a família do médico, que não quis comentar o assunto nem passar o telefone do advogado dele.

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